VELÓRIO

Fila para se despedir de Pelé tem 1 km e calor de 29ºC

O velório do Rei Pelé ocorre na Baixada Santista, no estádio da Vila Belmiro

O motoboy Lucas de Oliveira dos Santos, 33, aproveitou a folga desta segunda-feira (2), colocou o filho Davi, 8, na garupa e saiu de Itanhaém, na Baixada Santista, para acompanhar o velório do ídolo Pelé, que acontece no estádio da Vila Belmiro, em Santos.

Eles entraram na fila as 11h e a 1 km da entrada no gramado, percurso marcado pela reportagem. Uma hora depois, não haviam percorrido todo o caminho até chegar no gramado da Vila, onde o corpo do Rei é velado desde as 10h. As pessoas têm segundos para olhar o caixão, pois a fila quilométrica não pode parar.

Pai e filho percorreram parte das ruas Dom Pedro 1º e Guararapes, a avenida Bernardino de Campos e a Tiradentes até entrar, enfim, nos quatro zigue-zagues em frente a Vila Belmiro. A reportagem fez o trajeto, caminhando sem parar, por 11 minutos.

“Mas vale a pena”, afirma o motoboy.
Lucas e Davi levaram 1h45 para ver Pelé. No estádio ficaram dois minutos, entre a entrada e a saída, nada que tenha abalado o pai. “Ele [o filho] vai lembrar disso sempre”, disse Lucas.

O sentimento é o mesmo de Davison Souza Santos, 50, que, com dois filhos e um sobrinho adolescentes e o irmão, Dercilio, encarou duas horas no sol, com temperatura de 29ºC e quase nenhuma sombra pelo caminho.

Moradores em São Mateus, na zona leste de São Paulo, os cinco concordam que valeu a pena, tanto que os garotos “roubaram” tufos de grama para levar como recordação.

O também paulistano Luiz Carlos Rugue, que diz ter perdido as contas das vezes que viu Pelé jogar, se preparava para ir ao fim da fila de novo depois de duas horas de caminhada para ver o rosto do Rei, única parte exposta, e a dez metros de distância.

“É pouco por tudo que ele fez por nós”, disse.

Madrugada
A fila cresceu muito durante a manhã. Por volta da 1h, o corredor cercado por grades, por onde passariam os torcedores, tinha cerca de dez pessoas. Entre elas estava o pintor Emílio Carmo, 58, morador na Casa Verde, zona norte de São Paulo.

Ainda criança, assistiu ao um jogo do Santos no antigo estádio Palestra Itália, na Pompéia, zona oeste. E nunca mais deixou de ser santista. “O Santos empatou em 1 a 1 com o Palmeiras, com gols de Pelé e Ademir da Guia, olha que privilégio eu tive”, afirmou o torcedor que chegou na fila por volta das 11h de domingo.