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Guga diz que poderia ter 5 títulos de Roland Garros se não tivesse lesão

Gustavo Kuerten levantou a Copa dos Mosqueteiros por três vezes em sua carreira. Mas o…

Gustavo Kuerten levantou a Copa dos Mosqueteiros por três vezes em sua carreira. Mas o tricampeonato em Roland Garros poderia ter se tornado penta caso a lesão no quadril não tivesse abreviado sua vitoriosa carreira. Esta é a avaliação do ex-tenista exatamente vinte anos depois da terceira conquista no saibro do Grand Slam francês.

Seu último grande troféu foi levantado no dia 10 de junho de 2001, em Paris. Na ocasião, Guga superou na final o espanhol Alex Corretja em um duelo de quatro sets. Ao fim daquele famoso jogo, o brasileiro desenhou um coração na quadra com a raquete, o que já havia feito antes ao vencer o jogo contra o americano Michael Russell nas oitavas de final.

“Meu tênis estava brotando ali, estava só começando. Dá para dizer que cinco títulos de Roland Garros seria normal, natural. Eu poderia jogar mais cinco anos como favorito, com certeza. Podia ganhar, podia perder, mas mais uns dois títulos teria que vir. É muito difícil ser menos que isso”, disse Guga, nesta terça-feira. “Se não fosse o quadril, seria dali para mais.”

O agora ex-atleta lembra que vinha evoluindo a cada temporada. “Dava para ver que, a cada ano em que eu era provocado, eu trazia uma situação diferente para a quadra. Vinha um cara novo, montávamos um plano. O Larri (Passos) me incentivava e dava certo. Traz um problema que a gente traz a solução.”

O brasileiro, contudo, reconhece que teria dificuldades para levantar mais vezes a Copa dos Mosqueteiros diante da ascensão de Rafael Nadal. O espanhol começou a dominar Roland Garros em 2005. “Contra o Nadal, eu iria penar. Ele iria me fazer pagar caro por estes troféus a mais”, brincou Guga.

Para o catarinense, a experiência obtida no circuito já trazia frutos e poderia ter viabilizado novas conquistas, caso não fossem as repetidas cirurgias no quadril. “Joguei com 28 anos já meio capenga, ganhei do (Roger) Federer em 2004. E, já com graves problemas, podia aproveitar a simplicidade que os anos vêm trazendo e tudo parecia mais fácil.”

O tricampeonato em Paris havia confirmado o domínio do brasileiro no circuito naquela temporada, a mais vitoriosa da sua carreira, com seis troféus. “Dominar o tênis era nossa rotina em 2001. Com certeza, foi o ano de maior impacto. Eu entrava na quadra e os rivais se apavoravam.”

O brilho do brasileiro naquele ano ajudou a tornar a modalidade mais popular em solo nacional. “Acho que 2001 foi o auge do tênis no Brasil. As pessoas conversavam sobre os jogos no supermercado, no açougue…”, lembrou Guga, que lamentou não ter deixado “herdeiros” no esporte.

Na sua avaliação, o Brasil precisaria de ao menos duas gerações vitoriosas para tornar o tênis mais forte no País. “Precisávamos de dois ciclos vitoriosos, duas gerações boas. Uma andorinha só não faz verão. Pode ser número 1 do mundo, não garante nada. Mas se tivermos três, quatro caras muito bons, consistentes… Uma nova geração, com quatro, cinco treinadores preparados para o desafio, aí começa a ter um fluxo de produção. Sempre comparo com o futebol, que tem uma linha de produção, cheio de escolinhas pelo Brasil todo.”

Mas Guga mantém a esperança de ver novos tenistas brasileiros brilhando no circuito. “Podemos ter quatro representantes dentro do Top 100 do ranking, quatro dentro de um Grand Slam. Isso é viável, é possível. Já temos uma base, subimos alguns degraus. Precisamos refinar o alto rendimento.”

Após brilhar em 2001, ele venceu mais quatro torneios, todos menores. O último veio em 2004, já com dificuldades físicas em quadra. Guga abandonou oficialmente as raquetes em 2008, justamente em Roland Garros, torneio no qual entrou na chave como convidado da organização.