Estudante acusa professor de injúria racial em colégio militar de Luziânia

Estudante que denunciou a injúria foi Geovana da Silva Belford, de 15 anos

Estudante denuncia ser vítima de injúria racial por um professor em um colégio militar de Luziânia
Estudante denuncia ser vítima de injúria racial por um professor em um colégio militar de Luziânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A estudante Geovana da Silva Belford, de 15 anos, denunciou um professor do Colégio Estadual Cívico-Militar Maria Abadia Meireles Shinohara por injúria racial. De acordo com a estudante, o homem disse que chamaria a mãe da adolescente na escola por ela ser “preta”. O caso aconteceu no dia 29 outubro, mas repercutiu nas redes sociais na Semana da Consciência Negra, comemorada no último dia 20.

Estudante conversava com colegas quando foi insultada pelo professor

Geovana relata que conversava com algumas colegas na sala de aula quando o professor pediu para que ela trocasse de lugar. “Ele falou que ia chamar minha mãe na escola porque eu era preta. Na hora não tive reação nenhuma, não falei nada”, conta a adolescente.

Após a escola, Geovana costuma ir para casa do tio, Sidney Ferreira Cruz, que encontrou a garota abalada no dia do ocorrido. O tio, juntamente com a mãe da adolescente, foi ao colégio para conversar sobre o relato de Geovana.

Ao se encontrar com o professor, pediu para que ele conversasse e se desculpasse com Geovana, mas o professor não respondeu. “Me olhou com um olhar arrogante e não falou nada”, relata Sidney.

Representantes da escola afirmam não existir racismo no Brasil

Sidney conta que ficou abalado quando um representante do colégio disse que eram os negros que fazem racismo. ”Eu fiquei machucado quando ele pegou uma foto do celular dele, me mostrou e falou que tio dele era negro. Ele falou que no Brasil não tem racismo, os próprios negros que fazem o racismo. Nós só queremos justiça”, explica.

A família registrou um boletim de ocorrência na delegacia da cidade. Por envolver uma menor de idade, o caso é investigado pela Delegacia de Proteção á Criança e ao Adolescente (Depai) de Luziânia. A Polícia Civil informou que não se pronunciará no momento para preservar as investigações.

Para não perder o ano, Geovana continuou a frequentar a escola, mas as aulas do professor de matemática ela não participa, segundo o tio da garota, que afirma estar orgulhosa da sobrinha por enfrentar a situação de frente. “Ela contou que tem sofrido com comentários maldosos de colegas que não acreditam nela, mas eu falo que o importante é que ela disse a verdade. Para uma garota da idade dela, tem se mostrado muito madura”, disse o tio.

Coronel relata que não houve crime

O Mais Goiás conversou com o coronel Mauro Vilela, Superintendente de Segurança Escolar e Colégios Militares, que afirma que o professor não ofendeu Geovana.

“A aluna estava no fundo da sala conversando com outra aluna. O professor de matemática pediu para ela trocar de lugar com um colega. Ela perguntou para ele assim ‘você quer que eu troque de lugar porque eu sou morena?’ e professor respondeu ‘agora só falta você vir falar que eu estou cometendo o crime de racismo, vou chamar sua mãe aqui pra gente conversar’ e foi isso que aconteceu”, explica o coronel.

Mauro Vilela conta que os responsáveis pela segurança escolar regional fizeram um levantamento sobre o ocorrido, ouviram o professor e colheram informações com o auxílio do gestor do colégio militar. Também colheram o depoimento da aluna, que foi acompanhada pelos pais e pelo Conselho Tutelar. “O caso já foi para o Ministério Público, a aluna está sendo acompanhada por um psicólogo do serviço de assistência social da prefeitura de Luziânia”, disse.

Professor continua a ministrar aulas no colégio

Segundo o coronel, o professor continua no colégio. “O professor continua dando aula, a aluna continua assistindo as aulas. Em tudo que for relacionado a essa aluna, ele (professor) será acompanhado pelo gestor da escola e continua dando aula normal…Todo relatório colhido foi encaminhado para a corregedoria da Seduc, que fará um procedimento administrativo e apurar os fatos”, explica.

Mauro explica que se caso for comprovado o crime, o professor poderá ser exonerado do cargo por se tratar de um crime grave, além de responder judicialmente pelo crime de injúria racial.

Internauta relata que passou por situação semelhante

Outros possíveis casos

Após publicar o ocorrido nas redes sociais, alunos e ex-alunos do mesmo professor  alegam ter passado por situações de preconceito e racismo e não receberam nenhum apoio da colégio. Sobre isso, o coronel afirma que não tem conhecimento e ressalta que o professor nunca causou problemas.

“O professor nunca teve problemas na escola, Ele assumiu essa turma tem dois meses para cobrir um outro professor que, segundo os alunos, não estava transmitindo bem a matéria de matemática. Nunca tivemos problemas, trabalhamos com ele desde 2012 e nunca teve reclamações” explica o superintendente.

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