Feminejo: o tsunami feminino do sertanejo

Mulheres têm conquistado o sertanejo, ritmo dominado pelos homens, têm se mostrado ainda mais populares que eles e que vieram para ficar

A música sertaneja é um território do entretenimento dominado majoritariamente por duplas masculinas. Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, Victor e Léo, Henrique e Juliano, Jorge e Mateus. Timidamente, entretanto, as mulheres começaram a entrar e dominar este território, que antes era dedicado a mostrar que o sofrimento dos homens era culpa delas.

Este é um movimento chamado de “Feminejo”. Marília Mendonça, Naiara Azevedo e Maiara e Maraísa são alguns exemplos claros de que vocais femininos cantando sobre cerveja e pegação é uma tendência que veio com muita força e pretende continuar por muito tempo. Agora, elas mostram seus lados da história e muita gente quer ouvi-las.

Populares

Em 2016, segundo a empresa Crowley, especializada em monitoramento de rádios, no Top 10 brasileiro, 3 canções são cantadas apenas por mulheres. Um número pequeno nesta esfera, mas grande em outras,  como as plataformas de streaming.

No YouTube, por exemplo, Marília Mendonça e Maiara e Maraísa – 2º e 5º lugares na lista, respectivamente – têm 1,9 bi e 1,4 bi execuções. Ao passo que Zé Neto e Cristiano e Eduardo Costa, 1º e 3º lugares, têm pouco mais de 820 milhões e 339 milhões cada um. Jorge e Mateus passam Marília por pouco, porém lançam material desde 2008, enquanto a goiana, desde 2013.

No Spotify, a cantora de “Infiel” tem mais de 2 milhões de ouvintes mensais. Maiara e Maraísa, têm aproximadamente o mesmo número. Naiara Azevedo e seus “50 reais” têm um pouco menos: 1,3 milhões. Mas ainda é mais que Zé Neto e Cristiano, com 1,2 milhões; e também mais que Eduardo Costa, com 400 milhões.

“Infiel”, de Marília Mendonça, foi a segunda música mais executada no país em 2016 (Foto: Divulgação)

Balada, pegação e sofrência

Roberta Miranda e Inezita Barroso começaram bem devagar este movimento há algumas décadas. Em meados dos anos 2000, Paula Fernandes e algumas vozes femininas (que dividiam o microfone com outros homens) foram aparecendo. As músicas, entretanto, resumiam-se, basicamente à mulher sofrer por um homem, sem tomar qualquer atitude.

Diferente das músicas românticas de Paula Fernandes, Marília, Naiara, Maiara e Maraísa representam mulheres fortes e independentes. “Já deu, cansei das suas mentiras mal contadas (…) pega o elevador, a sua mala e vaza”, canta Marília Mendonça na faixa “Alô, Porteiro”. A goiana dá voz a uma mulher que se cansou das traições do parceiro e o expulsa de casa.

Em “50 Reais”, Naiara Azevedo, Maiara e Maraísa contam a história de uma mulher que flagra o marido com outra no motel e, no auge do deboche, dizem “mas eu não vim atrapalhar sua noite de prazer. E para ajudar a pagar a dama que lhe satisfaz, toma aqui uns 50 reais”.

E tem muita fossa também! Simone e Simaria, “As Coleguinhas”, são autoras do bordão: “é hoje que eu bebo até cair, e se eu cair continuo bebendo deitada”. E um outro recadinho:

Elas ficaram conhecidas pela balada “Meu Violão e o Nosso Cachorro” e ganharam o título de Rainhas das Sofrência. As irmãs também abordam a violência doméstica na canção “Ele Bate Nela” e, em uma parceria com Anitta, cantam sobre a liberdade da sexualidade feminina em “Loka”.

 

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