Frentistas de Goiás reclamam de sobrecarga nos postos de combustíveis

Presidente do Sinpospetro afirma que, mesmo com reajustes, motoristas seguem abastecendo, mas trabalhadores foram reduzidos no começo da pandemia

Sindicato de frentistas afirma que trabalhadores estão sobrecarregados
Sindicato de frentistas afirma que trabalhadores estão sobrecarregados (Foto: Freepik)

Depois de quase dois anos de pandemia, os frentistas que conseguiram manter os seus empregos nos postos de combustível reclamam de sobrecarga no trabalho. De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis de Goiás (Sinpospetro), Hélio de Araújo, boa parte dos funcionários que se livraram da demissão tiveram que assumir encargos dos colegas que não tiveram a mesma sorte.

“Você pode ir ao posto. Os frentistas estão sobrecarregados, atendendo duas ou três bombas ao mesmo tempo. Isso prejudica o atendimento ao cliente”, diz Hélio.

O presidente afirma que a pouca quantidade de frentistas empregados é o que ocasiona as filas frequentes em postos de combustível. “Mesmo com o aumento do preço dos combustíveis, os postos estão abastecendo. As pessoas se adaptam, pois precisam se locomover”, diz.

Sindicato dos Postos

Em entrevista à rádio Sagres, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, apontou que a crise enfrentada pelos postos é, especialmente, pelos constantes aumentos.

Ele disse que os reajustes no preço dos combustíveis reduziram as vendas nos postos. “Em relação a 2019, os postos estão vendendo em torno de 10% a 15% menos do que o período pré-pandemia”, declarou nesta terça-feira (26).

Segundo o sindicalista, os postos precisam fazer um aporte financeiro a cada aumento para manterem os estoques disponíveis para o consumidor. “Isso vem penalizando o dono do posto”, afirma.

Goiânia e as filas após o reajuste da Petrobras

Em Goiânia, na segunda-feira (25) – dia que a Petrobras anunciou um novo reajuste no combustível -, os goianienses correram para abastecer o carro antes do aumento começar a valer. Postos da capital seguraram os preços e viram grandes filas se formarem.

Na Vila Rosa, dezenas de condutores faziam fila em um posto para colocar gasolina no valor de R$ 6,89, por exemplo. Contudo, mesmo antes do reajuste já era possível encontrar o combustível a R$ 7,27, na cidade.

Gasolina sobe 7% e o diesel 9,1%

Com os novos reajustes, a gasolina subirá 7% e o diesel, 9,1%. Segundo a estatal, os aumentos refletem a elevação das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.

O litro de gasolina vendido pelas refinarias custará R$ 3,19, ou seja, R$ 0,21 a mais. Já o litro do diesel sairá por R$ 3,34, alta de R$ 0,28. É o segundo reajuste em menos de um mês.

O preço da gasolina foi reajustado pela última vez no dia 9 de outubro. No caso do diesel, a última alta foi em 29 de setembro.

Vale citar, a Petrobras já aumentou o preço do diesel em 50% em suas refinarias. Nas bombas, a alta acumulada é de 30%. Já a gasolina acumula alta de cerca de 51%.

Por que é tão recorrente este reajuste?

Os reajustes ocorrem com frequência desde 2016. Isto, porque a política de preços na Petrobras mudou com a gestão de Michel Temer (MDB), que passou a adotar o preço de paridade de importação (PPI).

Ressalta-se, o Brasil adotou o PPI, sistema da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em 2016, quando Pedro Parente presidia a Petrobras. O modelo, como o nome diz, segue a paridade internacional de preços dos combustíveis, conforme explica o economista Aurélio Troncoso, coordenador do centro de pesquisa de mestrado da UniAlfa.

Segundo ele, os valores estão ligados diretamente ao câmbio (dólar) e ao barril de petróleo. E a Opep faz uma média mundial de preço entre os maiores exportadores. Na segunda-feira, o barril do petróleo é cerca de US$ 85.

Inclusive, Aurélio explica que o dólar do Brasil – neste momento a quase R$ 5,60 – puxa a média para cima. Na análise do economista, outros países contribuem para que o valor não seja mais alto. “Ou seja, outros países estão nos ajudando.”

Por que PPI?

Sobre o PPI, Aurélio Troncoso informa que a Opep criou essa linha e os países optaram por ela, inclusive o Brasil. “Como a Petrobras é uma empresa de capital misto, por meio de uma assembleia esse modelo foi a escolha – mesmo o governo sendo o maior acionista.”

Inclusive, para ele, o governo cedeu a esse modelo, justamente, para valorizar a Petrobras.