Goiânia Rednecks vai disputar o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano

Representante de Goiás tem jogadores de outros três Estados e logo terá atletas vindos dos EUA. Desafios e recompensas incentivam o time

Dá pra falar de futebol sem se referir sempre ao mesmo esporte? Sim, é o caso do futebol americano. O jogo que há alguns anos só se via em filmes e as regras pareciam complicadas, agora se consagra como um dos esportes que mais cresce no Brasil. Além da fama de “jogo do marido da Gisele Bündchen” e dos bares lotados na transmissão do Super Bowl, já há muitos praticantes da modalidade, além de times profissionais e até um torneio nacional.

O Campeonato Brasileiro de Futebol Americano começou no dia 30 de junho e no próximo dia 15 será o primeiro jogo do ano do time representante de Goiás, o Goiânia Rednecks. O nome da equipe faz uma referência regional e bem-humorada, pela tradução ‘Capirias de Goiânia’. “Esse tipo de esporte, em qualquer país, sempre busca representar a região de onde veio”, explica o técnico do time, Igor Oliveira.

Igor é cientista da computação e, assim como ele, boa parte do outros atletas também é tem algum curso superior. O clube tem engenheiro civil, administrador de empresas, profissional de hotelaria e outros. “Temos até um advogado de defesa: um bacharel em Direito que joga na posição de defesa”, brinca o técnico.

O servidor público Israel Buzaym, 27, há três anos joga no Goiânia Rednecks. Nos tempos de escola, praticou futebol, basquete e handball, mas foi no futebol americano que quis me tornar um profissional. “Eu acompanhava pela TV e comecei a buscar informações. Quando descobri um time em Goiânia, fui ver um jogo. Nesse dia falei que queria jogar nele”, revela o atleta que começou como reserva e logo se tornou titular como quarter back (semelhante ao ‘armador’ em outros esportes).

Jogadores até dos EUA

A organização e o desempenho do Goiânia Rednecks nos últimos jogos atraiu o interesse de jogadores de longe. Atualmente, o elenco conta com três atletas de Recife (PE), um do Rio de Janeiro e outro de São Paulo. Além deles, dois americanos já fecharam negociação para compor o elenco. Um chegará no fim deste mês e outro, em agosto.

Desafios e recompensas

80 pessoas treinam no Goiânia Rednecks. Nenhuma recebe salário e os gastos com uniformes, bolas, equipamentos, alojamento e aluguel de campo vêm de arrecadação em jogos, rifas e do pagamento de mensalidades pelos próprios atletas. “Essa dedicação nos incentiva e estimula a continuar, mas o objetivo é alcançar apoiadores e patrocinadores para remunerarmos todo o time, como é feito com qualquer profissional”, explica o treinador Igor Oliveira. A parceria mais importante do clube rendeu bolsas de estudos na Universidade Salgado de Oliveira para os atletas.

Esporte cresce

Além da procura crescente de pessoas para atuar no time e o aumento no número de torcedores a cada partida, outro resultado importante foi registrado pelo canal de TV da ESPN. Pesquisa de audiência apontou que de 2013 a 2016 a quantidade de telespectadores do futebol americano subiu mais de 800%.

Grandes clubes brasileiros do futebol de campo já possuem um elenco de futebol americano. É o caso do Corinthians, Flamengo e São Paulo. Além deles, há ainda a Seleção Brasileira de Futebol Brasileiro, que neste ano completa uma década. O aumento na adesão de jogadores e torcedores levanta a questão sobre se a modalidade poderia se tornar um esporte popular no Brasil.

Campeonato

Na primeira fase do campeonato, o Goiânia Rednecks terá como adversários o Cuiabá Arsenal, do Mato Grosso; Tubarões do Cerrado, do Distrito Federal; Campo Grande Predadores, do Mato Grosso do Sul; e Sinop Coyotes, do Mato Grosso. O jogo do próximo dia 15 de julho será contra o Campo Grande Predadores, às 18h, no Clube Sesi Ferreira Pacheco. O ingresso custará R$ 20 ou meia-entrada, com 1 kg de alimento.