Homem dá exemplo de superação após perder as pernas em colheitadeira, em Goiás

Com os dois pés triturados, o operador de máquinas Itamar Rodrigues conseguiu fazer os próprios torniquetes para estancar a hemorragia

Homem vira exemplo de superação após perder as duas pernas em colheitadeira, em Goiás
Com os dois pés triturados, o operador de máquinas Itamar Rodrigues conseguiu fazer os próprios torniquetes para estancar a hemorragia (Foto: Arquivo pessoal)

“O único motivo para chorar era de saudades da minha família”. Foi o que disse o jovem Itamar Rodrigues, de 32 anos, sobre o período de 25 dias em que ficou internado no Hospital Estadual de Santa Helena de Goiás Dr. Albanir Faleiros Machado (Herso). O operador de máquinas perdeu as duas pernas após ter os pés triturados numa colheitadeira de milho. Mas hoje, quando olha para o que aconteceu, afirma que “nunca teve motivos para se desesperar”.

O acidente aconteceu no dia 14 de agosto, numa região rural de Uruana. Ao Mais Goiás, Itamar conta que estava na colheitadeira de milho quando teve que entrar para limpar um dos compartimentos da máquina conhecido como “graneleiro”. Porém, ao pisar na tela de proteção para se apoiar, a barreira cedeu e seu pé esquerdo acabou entrando nas engrenagens, seguido pelo direito.

“Eu consegui puxar o pé esquerdo, mas o sangue já jorrou na bota direita e também entrou. Até que consegui fazer parar de entrar, me segurando e apoiando, e meus companheiros de trabalho desligaram a máquina”, recorda o paranaense que vive em Cristalina (GO). Outra pessoa nessa situação poderia estar à beira de um colapso de dor e desespero. Porém, a situação foi inversa.

Itamar antes e depois de perder as pernas (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu tive que acalmar meus companheiros, mas eu estava perdendo muito sangue. Eles me perguntaram o que fazer e eu disse que tinha que levar a máquina pra fazenda e cortá-la com maçarico. Na fazenda, com sete minutos me tiraram da máquina e eu fiz os torniquetes pra estancar o sangue”, relata Itamar, que mesmo diante da imagem dos dois pés triturados, conseguiu aplicar os conhecimentos de primeiros-socorros que dispunha.

Exemplo de superação: “No hospital, eu acalmava as outras pessoas”, diz Itamar

Ao Mais Goiás, o operador de máquinas conta que o Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas não chegaram a tempo. Ele foi levado pelos colegas de trabalho até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que recusou a ocorrência por se tratar de caso muito grave. Com escolta da Polícia Militar, o homem foi transferido para o Herso, onde deu entrada na internação.

Itamar recorda que entrou para o centro cirúrgico por volta das 11h, e só voltou à consciência às 14h. Ele diz que levantou o lençol da cama onde estava e percebeu que não tinha mais o pé esquerdo. “No momento em que eu estava dentro da máquina, eu já sabia que ia perder meus dois pés. A gente percebe. Eu vi que o pé esquerdo estava amputado e o direito estava destruído”, relembra.

A equipe médica tentou salvar o pé direito de Itamar, mas o membro acabou tendo que ser amputado também (Foto: arquivo pessoal)

No entanto, em vez de entrar de desespero, Itamar ficou sereno a ponto de dar apoio emocional a outros pacientes. “Eu olhei para o lado e tinha uma senhora chorando, porque tinha quebrado o braço. Eu motivei a senhora, e as duas psicólogas que esperaram eu acordar estavam com medo de eu surtar”, diz, ao lembrar do espanto das profissionais diante de sua calma.

“Em momento algum eu desanimei. Chorei sim, mas foi de saudade dos meus filhos e da minha esposa. Era o único motivo pra eu chorar”, diz. Itamar conta que recebeu um tratamento excelente no hospital, fato que também o ajudou a não se abater, e também o apoio irrestrito da empresa para a qual presta serviço.

O recomeço do operador de máquinas

Com 23 dias de internação, a equipe médica precisou amputar também o pé direito de Itamar. O homem acabou perdendo os membros inferiores, na altura pouco abaixo do joelho. A alta veio no vigésimo quinto dia de internação. Ao deixar o hospital, Itamar revela que foi tomado de emoção. Não por ter perdido as pernas, segundo ele, mas por voltar a ver sua esposa e seus filhos Ítalo, de 7 anos, e Emanuelly, de 10 meses.

“Nunca tive motivo pra desesperar no hospital. Ainda mais agora, que estou com a minha família. Eu saí daquela máquina também pela minha força de vontade, mas foi Deus, foi um milagre”, afirma. “Eu estou muito feliz, feliz demais. E a questão das próteses já está confirmado: em janeiro, já estarei colocando minhas próteses [nas pernas]’, arremata.

Para Itamar, o importante é estar junto de sua família (Foto: Arquivo pessoal)