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Homofobia: mulher beija namorada em bar e é agredida na cabeça com banco

A vítima afirma que apenas uma mulher, que assistiu à cena pela janela, gritou para que alguém chamasse a polícia

Um casal de mulheres foi agredido em um bar em São Vicente, na Baixada Santista, na madrugada de segunda-feira (20), após receber uma série de xingamentos homofóbicos. Uma das vítimas, de 25 anos, chegou a ser atingida na cabeça por um banco. A namorada dela, de 22, registrou a cena pelo celular.

Segundo a namorada, que preferiu não se identificar, o casal estava tomando uma cerveja e conversando na Rua Martim Afonso, quando um homem se aproximou, vindo de outro bar. “O estabelecimento onde esse homem estava fica ao lado de onde estávamos. Em certo momento, pedimos para usar o banheiro e o funcionário deixou a gente entrar, disse para ficarmos à vontade. Assim que saímos, continuamos conversando lá fora e o homem saiu e fez um comentário: ‘o bom é que compra uma e leva duas’.”

A jovem de 22 anos disse que ficou indignada com a frase e questionou a namorada, que afirmou que era melhor “deixar isso para lá”. No entanto, após as duas se beijarem, o homem voltou a agredi-las verbalmente. “Ele falou que ia puxar a cinta, que éramos duas crianças, que a nossa geração era uma merda, que não deveria existir livre arbítrio, que a gente tinha lugar pra fazer isso, que existiam lugares LGBT, que a gente poderia ficar.”

O homem, segundo a jovem, afirmou que as duas deveriam voltar para casa. “A gente não tinha feito nada demais. Teve um momento que não aguentamos mais e comecei a retrucar também, que foi quando eu comecei a gravar. Aí ele repetiu novamente a frase que deu início a tudo e jogou um banco. Eu acho que ele mirava nas duas, mas acabou acertando na minha namorada, que caiu no chão”.

A jovem então afirmou que chamaria a polícia e o homem desafiou ela. “Ele disse que poderia chamar, que esperaria lá. A pessoa que trabalhava no estabelecimento pediu para não chamar. Eu não entendi. Depois os dois foram embora juntos”, relata. Após o incidente, ninguém prestou socorro. A jovem afirma que apenas uma mulher, que assistiu à cena pela janela, gritou para que alguém chamasse a polícia.

“Eles foram embora e deixaram a gente lá. Ficamos lá um tempo ainda, só que tava eu e ela na rua. A gente ficou com muito medo e decidiu ir para casa e não esperar a polícia.”

A jovem de 25 anos, que foi agredida com o banco, passou por atendimento médico e fez exames que constataram que não houve fraturas. “Ficou um inchaço. O rosto ficou com hematomas e o braço dela era o que mais estava doendo. Ela tem dores pelo corpo todo”, diz a namorada.

Ela ainda afirma que nunca havia passado por uma agressão física antes, no entanto, sempre é alvo de comentários desrespeitosos na rua. “Muita gente quando vê a gente passando na rua, de mãos dadas, fala alguma coisa. Dessa vez, a gente ficou muito indignada. Vemos isso acontecendo em outros lugares, mas nunca imaginamos que seremos as próximas vítimas.”

As duas registraram um boletim de ocorrência ontem. A jovem de 25 anos ainda deve passar por um exame de corpo de delito. Segundo a namorada, ela ainda está abalada com o caso.

O UOL entrou em contato com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) para saber se o agressor foi localizado, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço será atualizado assim que houver manifestação.