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‘Igual cruzar porco espinho com capivara’, diz Ciro Nogueira sobre aliança de Lula com Alckmin

Ministro da Casa Civil de Bolsonaro admite força do petista, mas aposta na rejeição do partido em 2022

'Igual cruzar porco espinho com capivara', diz Ciro Nogueira sobre aliança de Lula com Alckmin - (Foto: Agência Senado)
Ciro Nogueira. Foto: Agência Senado

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, comparou a um “cruzamento de porco espinho com capivara” uma eventual aliança do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (sem partido, ex-PSDB) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita em live do jornal Valor Econômico, nesta terça-feira (21).

“São dois grandes homens públicos, mas que têm trajetórias de vida em linhas completamente diferentes. É igual o cruzamento do porco espinho com a capivara”, disse o ministro do governo Jair Bolsonaro (PL). “Não vejo muita chance de sucesso eleitoral, que possa ter resultado na eleição”, completou Ciro, que já apoiou tanto Alckmin quanto Lula no passado.

O titular da Casa Civil disse ainda que o Lula que está aparecendo hoje é uma “ilusão de ótica”. Segundo Ciro Nogueira, mais do que uma rejeição ao ex-presidente, há uma rejeição ao PT que será indissociável do candidato petista.

“O Lula que nós estamos vendo hoje é uma ilusão de ótica. Não é esse Lula que vai para campanha. Não é o Lula bonzinho, longe da Gleisi Hoffmann, do Zé Dirceu, dos Paloccis da vida, dos Vaccari da vida”, disse.

Há uma articulação no mundo político para que Alckmin possa ocupar a vice numa chapa com Lula. Eles tiveram um jantar no último domingo, em São Paulo, com a presença de parlamentares e dirigentes partidários de diferentes lados do espectro político.

Em seu discurso, Lula minimizou o passado de rivalidade com outros grupos políticos, em recado que pareceu talhado para os que lembram as trocas de farpas entre os dois.

Na última pesquisa Datafolha, o petista aparece com 48% de intenção de votos no primeiro turno, seguido de Bolsonaro, com 22%. Entretanto, Ciro Nogueira afirma que nunca houve um presidente não reeleito na história do país, e aposta na recuperação econômica (mais emprego e menos inflação) no ano que vem para melhorar a posição de Bolsonaro nas pesquisas.

O Auxílio Brasil, por exemplo, será importante para isso. Segundo o ministro da Casa Civil, se dependesse dele, o benefício iria a R$ 1.000, mas isso só aumentaria a inflação e não seria sustentável. Por isso, defendeu que o sucessor do Bolsa Família continue nos R$ 400.

Ciro Nogueira disse que as eleições no Nordeste, sua região, serão muito duras e disputadas. Segundo o Datafolha, ex-presidente Lula tem mais de 60% de intenção de votos na região. “Não vou dizer que o presidente Bolsonaro vai ganhar a eleição no Nordeste, não. É um cenário que eu gostaria muito, mas não é fácil. Mas que vai ser uma eleição bem disputada, não tenho dúvida.”

Ciro Nogueira diz que, de acordo com pesquisas a que teve acesso, as perspectivas de uma terceira via vingar são “completamente nulas”. Ele defende que há dois extremos apenas, Lula e Bolsonaro, e ganhará a eleição quem for capaz de atrair o centro, hoje, segundo ele, mais próximo de apoiar Jair Bolsonaro. O que justificaria a aproximação do petista com o ex-tucano, disse o ministro.

Ainda que o PP tenha participado de governos petistas, Ciro Nogueira também apoiou Alckmin em 2018. O partido embarcou de vez no governo Bolsonaro neste ano, quando ele assumiu a Casa Civil com a promessa de atuar como “amortecedor”.

Nogueira se licenciou da presidência do PP, mas continua com forte influência nos rumos do partido, nos bastidores. Ele chegou a disputar a filiação do presidente Bolsonaro com o PL, mas Bolsonaro acabou optando pelo partido de Valdemar Costa Neto.