Instituto simulou gasto de R$ 700 mil com pesquisas eleitorais sem registro, diz MP

Empresa teria feito 349 pesquisas sem cobrar por elas. Apurações também não foram devidamente registradas, de acordo com o órgão

A empresa IPOP Cidades & Negócios está no cerne de uma investigação que apura fraudes em pesquisas eleitorais divulgadas na maior parte do território goiano ao longo da corrida eleitoral de 2020. O instituto, que está na mira do Ministério Público (MP) e foi alvo de operação nesta quinta-feira (5), teria realizado 349 pesquisas eleitorais em 191 municípios goianos sem, no entanto, registrar receitas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o instituto – de acordo com o órgão –  simulava realizar levantamentos com recursos próprios, num esquema “filantrópico”. Isso porque cada pesquisa tinha custo aproximado de R$ 2 mil, o que teria rendido ao instituto um gasto total de R$ 700 mil.

A quantia, segundo o MP, é incompatível com o capital social de R$ 150 mil declarado à Junta Comercial de Goiás (Juceg) pelo Ipop. “É legítimo que um candidato contrate pesquisas. No entanto, é preciso que sejam divulgadas as informações com o nome do candidato, método e notas fiscais. Em nenhuma das realizadas pela IPOP consta nomes de candidatos como contratantes. Ela agia como se fosse uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos”, aponta o promotor Douglas Chegury, responsável pelas apurações.

A investigação

O Ministério Público identificou a possível fraude a partir de uma pesquisa registrada em Alvorada do Norte. Com isso, as investigações mostraram que a prática era replicada em todo o estado e foi importada de uma outra empresa, do mesmo dono, já utilizada em São Paulo, nas eleições de 2016.

Segundo o Ministério Público, o proprietário Márcio Rogério Pereira Gomes abriu uma microempresa e oferecia a pesquisa em pacote com um jornal para divulgação. Assim, ele produzia a pesquisa fraudada e utilizava jornal e redes sociais criadas para publicação e divulgação. O promotor Douglas Chegury aponta que o modo de agir da pesquisa foi importado da época em que trabalhou no estado de São Paulo de 2016, ocasião em que “deixou um rastro de muitas ações judiciais”.

“Uma pesquisa fraudulenta como essa gera expectativa, ilusão, no eleitor, sobretudo no mais sugestionável, no indeciso que não quer ver seu ‘voto perdido’. Ele se baseia nos dados da pesquisa, vê quem está na frente e reforça o candidato. Um grupo que está dois ou três pontos percentuais atrás, quando vê uma pesquisa fraudada que aponta 20 pontos esmorece no seu trabalho. Tudo isso interfere no processo democrático”, diz o promotor.

O Ministério Público realizou quatro mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia nas residências do proprietário e sede da empresa.