Justiça manda iFood fornecer dados de suspeito de racismo contra entregador

Caso aconteceu em 25 de outubro com Elson Oliveira Santos, após um pedido ser feito com destino de entrega ao condomínio Aldeia do Vale

Justiça determina que app forneça dados de suspeito racismo contra entregador
Justiça determina que app forneça dados de suspeito racismo contra entregador

A justiça deferiu os pedidos da Polícia Civil de Goiás e determinou que a empresa iFood forneça os dados do usuário suspeito do caso de racismo contra o entregador Elson Oliveira Santos, 39, trabalhador de um hamburgueria de Goiânia. O caso aconteceu em 25 de outubro, após um pedido ser feito com destino de entrega ao condomínio Aldeia do Vale.

Na ocasião, uma cliente de uma hamburgueria localizada no Setor Goiânia 2, se recusou a ser atendida por um entregador, enviando mensagens de cunho racista para o restaurante. “Esse preto não vai entrar no meu condomínio”, “Mandar outro motoboy que seja branco“, “Eu não vou permitir esse macaco“, lê-se.

O Ifood, empresa de entrega de comida pela internet, baniu o perfil do cliente responsável pelas mensagens racistas após o caso ganhar repercussão. Na época, o app afirmou, ainda, que está em contato com o entregador para oferecer apoio psicológico. “Em casos de racismo, é importante que seja feito um boletim de ocorrência (BO), além do contato com o Ifood pelos canais oficiais de atendimento”, esclarece a empresa.

No dia 27, o condomínio negou que a pessoa responsável por mensagens racistas enviadas contra o entregador fosse moradora do local. De acordo com o condomínio, “a administração recebeu da Delegacia Estadual de Crimes Cibernéticos (Dercc) os dados do cliente que cometeu o crime de racismo e, imediatamente, verificou que ela não é moradora do local”.

“A elucidação aconteceu após um dia tenso para os moradores que acabaram sofrendo um julgamento coletivo em razão da repercussão da denúncia feita pela hamburgueria nas redes sociais acerca da atitude da cliente, que afirmou ser moradora do condomínio e pedir para lá fazer a entrega. O aplicativo de entrega de comida permite que o solicitante esteja em local diferente do endereço da entrega”, lê-se na nota.

Defesa do condomínio

Também naquele momento, a advogada do condomínio, Letícia Brandão, afirmou que o “suposto autor do crime de injúria racial não é morador do residencial, visitante ou frequentador daquele condomínio” e que o “nome da pessoa suspeita, identificado pela Dercc não está dentro do cadastro de moradores, visitantes, prestadores de serviço ou frequentadores do condomínio, bem como o CPF informado pela Delegacia de Polícia”.

Ainda segundo ela, um crime de ódio como a injúria racial “está gerando outro crime de ódio“, uma vez que a exposição do nome do Aldeia do Vale tem gerado, conforme ela, “manifestações de ódio e apologia à violência” contra os moradores do residencial.

Confira a nota da Polícia Civil na íntegra:

A Polícia Civil de Goiás informa que o Poder Judiciário deferiu os pedidos feitos pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC) relativos ao caso de racismo cuja vítima foi um entregador/motoboy e o suposto autor seria um morador de um condomínio fechado. A Justiça deferiu a quebra telemática do usuário por meio do qual o crime de racismo foi cometido. A decisão judicial já foi encaminhada à empresa Ifood nesta segunda-feira (09), com teor em caráter sigiloso e urgente. A DERCC aguarda agora o fornecimento dos dados requeridos para os próximos dias. A delegada Sabrina Leles não concederá entrevistas até que as diligências sejam concluídas, motivo pelo qual encaminhamos esta nota.

Relembre:

Polícia apela à Justiça para que iFood auxilie em investigação de caso de racismo