Do voyeurismo ao ‘primal’: especialistas apontam fetiches mais comuns do que se imagina
Tema ainda é considerado um "tabu" em alguns grupos

Por muito tempo associados a grupos restritos, os chamados kinks, termo usado para descrever interesses e fetiches sexuais fora do que costuma ser considerado convencional, passaram a ganhar maior visibilidade nos últimos anos. O tema tem aparecido com mais frequência em debates públicos e em atendimentos de terapeutas sexuais, impulsionado por mudanças culturais e por uma abordagem mais aberta sobre sexualidade.
Segundo especialistas ouvidos pela imprensa internacional, esse interesse não significa, necessariamente, a prática dessas atividades. Para algumas pessoas, os fetiches permanecem no campo da fantasia; para outras, são vivenciados de forma consensual, com diálogo claro entre adultos.
Em texto publicado no blog da revista Psychology Today, o pesquisador em sexualidade Justin Lehmiller afirmou que o kink permeou nossa consciência cultural de uma forma que nunca havia acontecido antes”, citando a repercussão da franquia Cinquenta Tons de Cinza como exemplo desse movimento.
Confira cinco fetiches frequentemente mencionados por profissionais da área:
BDSM
A sigla reúne práticas relacionadas a bondage e disciplina, dominação e submissão, sadismo e masoquismo. O terapeuta sexual Tom Murray define o BDSM como um conjunto de atividades que envolve “uma variedade de práticas, incluindo jogos de poder, dor consensual ou restrição para prazer mútuo”, sempre baseadas em consentimento e comunicação prévia. A sexóloga Myisha Battle relata que esse é o tema mais citado por seus clientes. “A maioria das pessoas que pergunta sobre isso viu o BDSM retratado na mídia popular, acha erótico e quer reproduzir o que vê”, afirmou.
Role-play
A encenação de papéis entre parceiros também aparece com frequência. Segundo Murray, a prática pode ajudar a romper a rotina e estimular a excitação, com fantasias que envolvem personagens ou situações específicas. Battle observa que alguns clientes procuram orientações para iniciar essas dinâmicas. “Interpretar um personagem mais confiante sexualmente pode ajudar algumas pessoas a se expressarem melhor”, explicou.
Voyeurismo e exibicionismo
Os dois interesses costumam ser mencionados em conjunto. O voyeurismo envolve excitação ao observar outras pessoas em situações íntimas, enquanto o exibicionismo está relacionado ao desejo de ser observado. Murray destaca que essas práticas, quando citadas por pacientes, ocorrem em contextos consensuais, como ambientes privados ou espaços específicos.
Controle do orgasmo
A prática consiste em prolongar a excitação de uma pessoa antes de permitir, ou não, o orgasmo. A terapeuta Janet Brito explica que o objetivo é explorar a antecipação e o adiamento do clímax. “O objetivo é vivenciar a negação ou o atraso deliberado do orgasmo, o que pode construir enorme excitação”, disse, ressaltando a importância do acordo entre as partes envolvidas.
Primal play
Descrito por alguns como uma experiência mais instintiva, o primal play inclui interações físicas consensuais, como luta corporal simulada, mordidas ou puxões de cabelo. Myisha Battle afirma que nomear esse tipo de interesse ajuda a facilitar a comunicação. “Isso não só confirma que o que a pessoa gosta é algo que outros também podem gostar, como fornece linguagem para usar em perfis de relacionamento”, declarou.
De acordo com os especialistas, a maior exposição do tema reflete transformações culturais e uma busca por compreender desejos de forma mais informada, com ênfase em respeito, consentimento e diálogo.