Médicas são indiciadas por morte de paciente em clínica de hemodiálise em Goiânia

Polícia apurou que negligência provocou, além do óbito, surto infecioso em 34 pessoas que também se tratavam no mesmo local em Goiânia

Médicas são indiciadas por morte de paciente em clínica de hemodiálise em Goiânia (Foto: Pexels)
Médicas são indiciadas por morte de paciente em clínica de hemodiálise em Goiânia (Foto: Pexels)

Três médicas, uma enfermeira e um técnico foram indiciados por homicídio culposo pela morte de um paciente em uma clínica de hemodiálise de Goiânia. O caso aconteceu há cinco anos, e, na mesma ocasião, outros 34 pacientes que também faziam tratamento no local passaram mal em decorrência de um surto infeccioso.

O inquérito que apurou a morte do paciente, um idoso de 84 anos, demorou a ser concluído devido à complexidade na apuração dos fatos. “Foram necessários vários depoimentos e análises, mas, agora, concluímos que houve omissão total por parte dos hora indiciados, que, mesmo diante de um surto infeccioso, continuaram tratando dos pacientes, já debilitados, normalmente”, diz o delegado Manoel Borges de Oliveira, titular do 7º Distrito Policial de Goiânia.

Pelo que foi apurado pela Polícia Civil, após fazer uma hemodiálise no dia cinco de julho de 2016, Frutuoso passou mal, foi internado em estado grave, e morreu no dia seguinte. Na ocasião, o laudo feito pelo Instituto Médico Legal (IML) deu como inconclusiva, a causa da morte do idoso.

A Polícia Civil, porém, descobriu que, no mesmo dia que o idoso passou mal, outros 23 pacientes que estavam na mesma clínica também foram infectados pela água usada no tratamento da hemodiálise. Cinco deles precisaram ser internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nos dois dias seguintes, mais 11 pacientes também passaram mal, mas a clínica continuou atendendo normalmente, até ser interditada pela Vigilância Sanitária, que recebeu uma denúncia anônima, no dia sete de julho.

Água contaminada teria sido o que provocou surto infeccioso

Os exames comprovaram, segundo o titular do 7º DP de Goiânia, que a água usada no tratamento dos pacientes renais crônicos foi contaminada. “O que aconteceu ali foi um caso comprovado de negligência humana, que provocou a morte de um paciente, além de trazer sérios problemas a vários outros. Em decorrência disso, indiciamos as três médicas donas da clínica, uma enfermeira, e o técnico de uma empresa terceirizada, que era o responsável pelo tratamento da água, e pelos equipamentos usados na hemodiálise”, concluiu Manoel Borges.

A defesa das três médicas disse que não irá se pronunciar por enquanto, uma vez que ainda não foi informada sobre a conclusão do inquérito. A equipe do Mais Goiás não conseguiu contato com as defesas da enfermeira, nem do técnico. Mas o espaço está aberto, caso queiram se pronunciar.

O crime em que eles foram indiciados, homicídio culposo (quando não há intenção de matar), tem pena de reclusão que varia de um até cinco anos.