Médico indiciado por racismo após acorrentar negro em Goiás se diz ‘envergonhado’

Homem afirmou, em gravação publicada nas redes sociais, que entende que a 'brincadeira' filmada na cidade de Goiás foi ofensiva

O médico Márcio Antônio Souza Júnior disse se sente 'envergonhado' pela gravação que fez de um funcionário negro acorrentado e algemado, na cidade de Goiás. Tanto a declaração de arrepedimento, como o gravação ao qual o funcionário era comparado a um escravo, foi feita através do médico nas redes sociais. A tal 'brincadeira' fez com que o médico fosse indiciado por racismo, conforme concluiu a investigação da Polícia Civil.
Médico indiciado por racismo após acorrentar negro em Goiás se diz 'envergonhado' (Foto: Reprodução - Redes Sociais)

O médico Márcio Antônio Souza Júnior disse se sente ‘envergonhado‘ pela gravação que fez de um funcionário negro acorrentado e algemado, na Cidade de Goiás. Tanto a declaração de arrependimento como o gravação em que ele compara o trabalhador a um escravo foram feitas por meio das redes sociais. A tal ‘brincadeira’ fez com que o médico fosse indiciado por racismo, conforme concluiu a investigação da Polícia Civil.

Márcio publicou o novo vídeo na última sexta-feira (24). Na gravação, ele pede desculpas às pessoas e afirma estar vivendo um momento de “despertar de consciência”. Ele reconhece que a filmagem que viralizou é ofensiva.

“Fui pego de surpresa com a repercussão de algo que eu achava que era só uma brincadeira. Uma brincadeira que hoje eu entendo que é sem graça, idiota, irresponsável e muito infeliz. Que nunca, jamais deveria ser feita”, diz em vídeo. Assista:

 

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Uma publicação compartilhada por Marcio Antonio Souza Junior (@dr_marcim)

Esta é a terceira gravação do médico sobre o assunto. Logo após a original gerar polêmica, ele fez uma segunda dizendo que tudo não passava de uma “encenação”, uma “zoeira”.

A ativista Janira Sodré classifica como “barbárie e reencenação escravista” um vídeo em que mostra um homem acorrentado em Goiás. (Foto: Reprodução - Redes Sociais)

A ativista Janira Sodré classifica como “barbárie e reencenação escravista” um vídeo em que mostra um homem acorrentado em Goiás. (Foto: Reprodução – Redes Sociais)

Defesa do médico trata o caso como “inoportuna brincadeira”

A Polícia Civil concluiu a investigação e indiciou Márcio pelo crime de racismo, no último dia 14 de março. O inquérito está sendo analisado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), que pode ou não oferecer denúncia contra Márcio.

No vídeo, o rapaz aparece preso com correntes nos pés e algemado. “Falei para estudar, mas não quer. Então vai ficar na minha senzala”, diz o médico na filmagem. Em outro trecho do vídeo, o profissional acrescenta: “tenta fugir, pode ir embora” e o homem acorrentado também ri.

O advogado que representa o médico, Pedro Paulo de Medeiros, disse ao G1 que a defesa “confia que o Ministério Público reconhecerá o que ficou claro em seu depoimento e no depoimento dos outros envolvidos na inoportuna brincadeira”.

Ainda de acordo com a defesa de Márcio, o cliente já se desculpou publicamente e não teve “intenção de ofender ou enaltecer qualquer tipo de discriminação”.

Médico indiciado por racismo pode ter pena de até cinco anos de prisão

O delegado Joaquim Adorno, que foi responsável pelo indiciamento do médico, explicou que o homem responde em liberdade e não cabe prisão no momento. Também de acordo com ele, a pena para quem é condenado por este crime é de dois a cinco anos de prisão.

Veja abaixo vídeo que levou ao indiciamento do médico:

*Entrevista da defesa cedida ao G1