Nova reitora da UFG diz que Sandramara, primeira da lista tríplice, estará na gestão

"Não foi empossada reitora, mas faz parte do plano e terá lugar na gestão", declarou Angelita

Nova reitora da UFG diz que Sandramara, primeira da lista tríplice, estará na gestão
Nova reitora da UFG diz que Sandramara, primeira da lista tríplice, estará na gestão (Foto: Reprodução)

A nova reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Angelita Pereira de Lima, disse em coletiva virtual que a professora Sandramara Matias Chaves, escolha da comunidade acadêmica, fará parte da equipe de gestão. “Não foi empossada reitora, mas faz parte do plano e terá lugar na gestão. Esse lugar, contudo, ainda não foi definido. Precisamos de tempo para compreender melhor a situação.”

Sobre a escolha de seu nome, ela afirmou que, após a indignação da escolha que desrespeitou a autonomia da UFG, veio o impacto da responsabilidade, “uma vez que compus a lista tríplice”. De acordo com ela, a partir de agora é preparação, elaboração e repactuação com toda a universidade.

Inclusive, o plano de gestão já passa por preparação para aprovação do Conselho Universitário da UFG (Consuni). Entre as diretrizes, ela adianta a criação de um secretaria específica de inclusão, além do fortalecimento dos campus fora de Goiânia e maior presença da gestão. “Demandas fora da capital são diferentes e respostas também têm que ser.”

Questionada sobre possíveis resistências à seu nome, Angelita afirma que é normal que tenham divergências. “Nos deixa alerta sempre. Para poder ouvir e mudar o ponto de vista, nos impede de ter visões tacanhas.” Já em relação ao processo de escolha, ela diz que toda a comunidade discordou da forma como o governo federal atuou. “É unânime [a discordância]. Justo e necessário, até para não cair no esquecimento.”

Desistência?

Segundo Angelita, não houve a possibilidade de pensar em desistência na nomeação, uma vez que o governo federal ficou seis meses com a lista tríplice e anunciou a nomeação dela já após o vencimento do mandato de Edward Madureira. À época da escolha, Sandramara já era reitora em exercício.

“Não havia espaço de tempo para movimentação, pois o MEC (Ministério da Educação) controlou o relógio e nem permitiu que cogitássemos não cumprir a nomeação. Se fizéssemos isso, a UFG estaria em uma situação de instabilidade.”

Segundo ela, aceitar foi uma decisão “positiva, administrativa e corajosa”, apesar de carregar conflitos. “Aceitar a nomeação é reflexo de uma posição coletiva.”

Posse

Diretora da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), Angelita Pereira foi escolhida como a nova reitora da UFG na última terça-feira (11). O Ministério da Educação (MEC) deu posse a ela nesta sexta-feira (14), via Diário Oficial da União (DOU). Ela foi empossada de forma remota, pois testou positivo para a Covid-19.

Contudo, a escolha pela comunidade acadêmica, em eleição realizada em junho de 2021, foi o da professora Sandramara Matias Chaves, que constava com primeira indicação na lista tríplice elaborada pelo Conselho Universitário da UFG.

A avaliação no meio universitário é de que a escolha de Angelita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha sido uma forma de contrariar o resultado das eleições da UFG. Entretanto, o Consuni elaborou uma lista tríplice com nomes ligados à militância universitária, já que Karla Emmanuela é filiada ao PSOL, e Angelita ao PT, na tentativa da manutenção do nome de Sandramara.