Números sobre coronavírus não são confiáveis para 66%, diz pesquisa

Para 35,6%, o número de casos de coronavírus no Brasil é maior do que o divulgado. Para 35,7%, é menor

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Os boletins diariamente divulgados pelo governo federal, estados e municípios com informações sobre casos confirmados e óbitos causados por coronavírus não são confiáveis para 66,1% da população brasileira, de acordo com levantamento realizado pelo instituto Paraná Pesquisas entre os dias 15 e 18 de junho e divulgado nesta segunda-feira. Dizem confiar nos boletins 27,8%. Não opinaram ou não souberam responder 6%. 

A descrença com relação aos números divulgados sobre o coronavírus atinge o maior percentual entre indivíduos de 35 a 44 anos (68,9%), mas está acima dos 60% em todas as faixas etárias. Na divisão por gênero, ela é de 65,7% entre os homens e de 66,5% entre as mulheres. 

A desconfiança também predomina em todas as faixas de escolaridade, mas atinge percentual maior entre aqueles que estudaram até o ensino médio (67,2%). Entre os entrevistados que completaram o ensino fundamental, dizem não acreditar nos dados oficiais 65%. Entre os entrevistados com ensino superior, o índice é de 65,8%.

No universo de pessoas que compõem a população economicamente ativa, afirmam não confiar nas estatísticas do governo 67,9%. Entre a população que não é economicamente ativa, o percentual é de 62,8%.

Por fim, na estratificação por regiões do Brasil, a pesquisa mostra que a descrença popular com os números do coronavírus é maior na região Sudeste (70.7%). No grupo formado por Norte e Centro-Oeste, é de de 64%. No Sul, 62,7%. E no Nordeste, 61,7%. 

Verdade por trás dos números

O instituto Paraná também perguntou aos entrevistados se, na opinião deles, o número de pacientes infectados pelo coronavírus é maior ou menor do que é divulgado pelo governo. Para 35,6%, o número é maior. Para 35,7%, o número é menor. Para 23%, é igual. Não souberam responder ou não opinaram 5,7%. 

Na estratificação, o destaque é para o universo de entrevistados com ensino superior. Entre estes, 41,8% acreditam que esteja ocorrendo subnotificação ou escamoteamento de dados, ou seja: que o número real é maior. Este mesmo índice é de 29,2% entre os entrevistados com ensino fundamental completo. 

O instituto Paraná ouviu 2.166 pessoas com 16 anos ou mais em 26 estados e Distrito Federal – e em 208 municípios brasileiros – entre os dias 15 e 18 de junho de 2020, sendo auditadas simultaneamente à sua realização, 20,0% das entrevistas