Operação desmantela organização que fraudava concursos em GO e no DF

Estão previstos para serem cumpridos, ao longo do dia, oito mandados de prisão preventiva, 11 de conduções coercitivas e 19 de busca e apreensão

Nova etapa da Operação Porta Fechada, da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Decarp), desmantelou na manhã desta segunda-feira (30) uma organização criminosa envolvida em fraudes de concursos públicos. Estão previstos para serem cumpridos, ao longo do dia, oito mandados de prisão preventiva, 11 de conduções coercitivas e 19 de busca e apreensão.

Um dos detidos foi Ricardo Silva do Nascimento, um dos pivôs do esquema. De acordo com a Polícia Civil, ele seria o responsável por facilitar a aprovação de clientes da organização.

O foco da operação eram fraudes cometidas no concurso de delegado da Polícia Civil realizado em 12 de março e, posteriormente, suspenso pela Justiça. No entanto, o andamento das apurações levou à descoberta de uma ação mais ampla do grupo criminoso.

O esquema era feito da seguinte forma: candidatos de diversas cidades, como Goiânia, Aparecida de Goiânia e Brasília, eram aliciados para participar e pagavam valores mediante a promessa de aprovação em concursos públicos. Até mesmo a prova do Enem do ano passado pode ter sido fraudada, segundo apontaram as investigações.

Ricardo, que trabalhava no Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), após a realização das provas, receberia os cartões-resposta dos candidatos que tivessem aceitado participar do esquema e os levaria para casa. Em geral, esses cartões teriam apenas três ou quatro questões respondidas, mas Ricardo preencheria os demais espaços dos cartões com as respostas certas, fazendo com que os envolvidos acertassem quase 100% de seu gabarito. Foram exatamente essas altas pontuações que chamaram atenção para o esquema.

As investigações demonstraram que a organização era ampla e ramificada. No entanto, fraudadores de diferentes cidades tinham uma coisa em comum: todos se aproveitavam de Ricardo para dar andamento ao esquema. Porém, concluiu-se que as práticas criminosas já eram realizadas pelo menos desde 2006 e outras pessoas já cumpriram a função que Ricardo passou a exercer.

Como a Decarp não tem competência para apurar todos os casos levantados durante a investigação, ainda não se sabe quantas provas podem ter sido fraudadas. Os casos descobertos foram repassados para as entidades competentes, como é o caso da Polícia Federal com relação ao Enem. Sabe-se, porém, que a quadrilha teria enviado aproximadamente 35 milhões de euros para a Europa somente no ano passado.

Maiores detalhes sobre a operação serão divulgados no decorrer do dia.