Pastor carioca que fazia “abraço terapêutico” teria estuprado menina de 12 anos, diz polícia

Vítimas relaram que eram abusadas durante atendimentos; sete vítimas já procuraram a delegacia

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia disponibilizou, na terça-feira (18), materiais online contra abuso infantil.(Foto: Reprodução/iStock)
Pastor carioca que fazia "abraço terapêutico" teria estuprado menina de 12 anos, diz polícia (Foto: Reprodução/iStock)

O pastor carioca Sérgio Amaral Brito, de 59 anos, que é acusado de abusar de mulheres durante um “abraço terapêutico”, teria estuprado uma menina de 12 anos, segundo a Polícia Civil. Até o momento, sete vítimas já procuraram a delegacia para formalizar a denúncia.

Segundo o delegado Ângelo Lages, os depoimentos  estão agendado para esta segunda-feira (20/12). O pastor, que também realizava atendimentos como psicanalistas, sexólogo e terapeuta em um consultório em Magé, na Baixada Fluminense, é investigado por estupro de vulnerável e posse sexual mediante fraude. Ele está preso desde a última quinta-feira (16/12).

“Ele foi transferido para Benfica e permanecerá preso por 30 dias. Vamos ouvir as novas vítimas tendo esse prazo de um mês para concluir o inquérito. De acordo com o depoimento de uma das vítimas, ele pedia para ela fechar os olhos, parecia até as histórias do caso João de Deus e ele começava a despi-la e a mexer no corpo dela, valendo-se de sua credibilidade pelo fato de ser pastor e de já ter feito outros atendimentos”, pontuou.

O investigador continuou: “Essa vítima disse que os abusos foram se intensificando e ela começou a estranhar, até que abriu os olhos e o viu apenas de cueca. Isso ficou, então, caracterizado como violação sexual mediante fraude, porque ele se utilizou dessa estratégia ardilosa”, pontua.

Pastor oferecia um “abraço terapêutico”, mas se esfregava nas vítimas

Antes das duas novas vítimas do pastor, cinco mulheres já haviam procurado à corporação para denunciar Sérgio. Elas revelaram que o pastor oferecia um abraço terapêutico e esfregava seu corpo nelas durante os atendimentos no consultório.

Segundo as vítimas, o médico afirmava que as técnicas que utilizara foram aprendidas no exterior.  Uma das mulheres teria sido hipnotizada antes de ser abusada pelo pastor. O suspeito chegou a pedir para que os pais dela fizessem orações por ele, para que não cometesse mais esses atos durante o procedimento.

Ainda segundo a investigação, Sérgio pedia para as vítimas que afirmassem na sua presença que eram “gostosas”. Ele dizia que isso ajudaria a melhorar a autoestima das pacientes.

Além disso, as vítimas deveriam levar fotos de roupas íntimas ou uma lingerie para ser vestida e ser exibida para ele dentro do próprio consultório. Ele agiu dessa forma com uma comerciante, que foi vítima de Sérgio em 2013, quando tinha 27 anos. Ela e outras quatro vítimas criaram um grupo para incentivar que possíveis novas vítimas formulem denúncia contra ele.

“Há três semanas, uma amiga me contou que a irmã foi abusada por ele (pelo pastor) no consultório. Me toquei de que havia acontecido a mesma coisa comigo e resolvi procurar a polícia”, disse a vítima, que preferiu não ser identificada.

“Eu estava com problemas de depressão e procurei um psiquiatra na época. Naquela ocasião, ele me pediu para procurar um psicanalista. Acabei indo ao consultório do Sérgio, que ficava no mesmo prédio da clínica que eu frequentava. Estava muito fragilizada e cheguei lá chorando muito. Ele demonstrou ser muito afetuoso neste primeiro atendimento. Na terceira consulta, disse que me daria um abraço terapêutico e se esfregou na altura dos meus seios. Depois, esfregou o corpo todo. Estranhei muito aquilo”, pontuou.

Segundo ela, o pastor pediu diversas fotos em que a vítima estaria seminua. “Ele pediu para que eu levasse para ele fotos minhas de calcinha e sutiã. Disse que, se eu preferisse, poderia levar uma lingerie na próxima consulta e mostrar em meu corpo. Eu respondi que não faria aquilo, e ele me chamou de rebelde. Fui embora dali. Depois, procurei outro terapeuta, contei o que havia acontecido e perguntei se aquilo era normal. Ele disse que nunca havia visto nada igual. Eu me senti suja e impotente diante de tudo o que aconteceu. Eu e outras quatro meninas que foram abusadas criamos um grupo nas redes sociais para receber denúncias de outros abusos. É uma forma de ajudar”, destacou.

Vítimas têm perfil semelhante, diz polícia

Segundo a PC, as cinco vítimas têm um perfil semelhante: são morenas, de cabelos longos, e forma abusadas quando tinham entre 16 e 27 anos.

*Com informações do O Globo