Pazuello contradiz Pfizer e Wajngarten sobre compra de vacinas: “sempre quis comprar”

General disse que o interesse nas negociações eram respostas, mas não afirma quando elas foram dadas

Pazuello contradiz Pfizer e Wajngarten sobre compra de vacinas:
CGU reverte sigilo de processo sobre Pazuello, e Exército diz que divulgação afeta imagem de comandante (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Em depoimento à CPI da Covid na manhã desta quarta-feira (19), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, negou que não houve resposta nas primeiras negociações para aquisição da compra das vacinas da Pfizer. Segundo ele, os retornos positivos eram dados pelo governo Bolsonaro nas negociações, que demonstravam interesse, mas não deixou claro quando essas respostas foram encaminhadas à farmacêutica. Com isso, ele contradiz os depoimentos do ex-secretário de comunicação de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, e do gerente-geral da Pfizer, Carlos Murillo.

Wajngarten afirmou que a carta da Pfizer ficou dois meses sem resposta. Já Carlos Murillo, por sua vez, declarou que o Brasil recusou todas as ofertas realizadas no ano de 2020 para aquisição dos imunizantes.

Pazuello afirma que as primeiras conversas com a farmacêutica começaram entre abril e maio. “Uma vacina totalmente diferente do que a gente está acostumado, uma tecnologia diferente do que a gente conhecia no Brasil e uma empresa que não aceitava transferência de tecnologia conosco”, disse

“Quando tivemos a primeira proposta oficial da Pfizer, chegaram também cinco cláusulas que eram assustadoras. Nós estávamos tratando uma encomenda de Oxford que chegaria a 200 milhões de doses neste ano. E a Pfizer nos colocando 18 milhões no primeiro semestre, com cláusulas complicadíssimas”, continuou o ex-general.

Pazuello fala sobre o valor das doses. “Uma vacina três vezes mais cara, com todas essas cláusulas, com quantitativos inferiores, além das questões logísticas”.

Sobre as vacinas do Butantan, Pazuello destaca que Bolsonaro nunca o mandou desfazer de qualquer contrato e negou que o presidente o proibiu de comprar a vacina do instituto, mesmo com a fala pública do gestor que não adquiriria o imunizante produzido com o laboratório chinês.

“Ele falou publicamente. Nunca falou para que eu não comprasse um ‘ai’ do Butantan. Nunca me deu ordem. Nunca foi efetuada a ordem. Aquilo foi apenas uma posição do agente político [Bolsonaro] na internet”, alegou Pazuello.

O general da reserva criticou o modelo adotado pelo consórcio Covax Facility. “A Covax não nos dava nem data e nem garantia de entrega. Estar presente no consórcio era o mais importante, inicialmente com 42 milhões de unidades. Num primeiro momento o risco era muito grande”, disse.

Cloroquina

Renan Calheiros, relator da CPI, questionou se a sua indicação ao chefe do Ministério da Saúde tinha relação com a indicação da cloroquina, defendida várias vezes por Jair Bolsonaro. “Ao longo da pandemia, os médicos viram isso e, sim, começaram a ver que estava sendo usada em vários países. Estamos falando de 29 países que tem protocolo para a Covid – como Índia, República Tcheca, Venezuela e Cuba”, reforçou.

Pazuello, entretanto, diz que a base para indicação do medicamento contra a Covid veio por causa do uso do medicamento contra a chikungunya. “O Brasil usa a cloroquina há 50 anos. É um antiviral e anti-inflamatório. Foi utilizada na crise do zika vírus em 2016. Em 2017, o Ministério da Saúde criou protocolo para crise da cloroquina na crise do chikungunya”, destaca.