PMDB tenta pautar debate sobre violência

A legenda disse que se baseou no Mapa da Violência, que seria um anuário “elaborado pelo Ministério da Justiça”

O PMDB goiano realizou na tarde desta quarta-feira uma frustrada tentativa de trazer à tona dados sobre a violência em Goiás, mas sem revelar nenhum estudo de impacto ou novidade da área.

Universidades e grupos de pesquisa de Goiás e Distrito Federal estudam o tema, com núcleos de investigações fomentados pela Fundação de Amparo a Pesquisa de Goiás (Fapeg) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Ao contrário de buscar subsídios entre especialistas, a legenda disse que se baseou no Mapa da Violência, que seria um anuário “elaborado pelo Ministério da Justiça”.

O Mapa da Violência, que é, na verdade, baseado nos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, é realizado anualmente e foi questionado recentemente por estudo de Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea, que apontou imprecisões no cálculo de homicídios ocultos.

Coordenado pelo ex-deputado federal Barbosa Neto, a coletiva do PMDB apresentou o que ele chamou de “indignação”: “A coordenação decidiu se manifestar porque é inadmissível a omissão diante das notícias trágicas que têm tomado os lares nos últimos tempos. É importante que fique claro a distinção do tratamento dado pelo atual governo à Segurança Pública e o tratamento que foi dado pelos governos do PMDB”.

INVESTIMENTO

Barbosa Neto (Foto: Divulgação)O peemedebista disse que seu partido investiu mais na área do que o atual governo e citou que a legenda tem acompanhado as diferenças entre as gestões: “Em 1998 o então governador Iris Rezende deixou o efetivo da Polícia Militar com 12.200 homens e o da Polícia Civil com 6.595. Hoje, 16 anos depois, a PM tem 11.600 e a PC, 3.140”.

Apesar de convocar uma reunião para tratar de segurança pública, o ex-deputado, que não tem formação acadêmica sobre o assunto, disse que apresentará mais dados em breve.

Na explanação, o peemedebista fez comparações com outros estados, mas não citou o caso do Entorno do Distrito Federal, apontado como um dos maiores nichos de violência do Brasil, de onde saíram as seis cidades mais violentas dentre as dez de Goiás.

A região que surgiu a partir da criação de Brasília é uma clássica demonstração da complexidade da violência – e que precisa ser abordada em um evento sério sobre violência.

Trata-se de núcleo de cidades criadas a contragosto do Estado de Goiás. Por isso, a Constituição estabeleceu a criação de uma Lei Complementar para dar atenção especial à região, que tanto pertence à Goiás quanto ao Distrito Federal.    

Barbosa Neto é conhecido por ser o ex-titular da Goiás Turismo, na gestão do ex-governador Alcides Rodrigues, e ter investido R$ 1,7 milhão para que Goiânia fosse sede da Copa do Mundo.