Polícia reduz equipes em Abadiânia no cerco ao suspeito de matar três pessoas em Corumbá

Helicóptero da corporação, e unidades especializadas como Rotam, Graer e CPE, não estiveram hoje na região

Polícia reduz equipes em Abadiânia no cerco ao suspeito de matar três pessoas em Corumbá
Polícia reduz equipes em Abadiânia no cerco ao suspeito de matar três pessoas em Corumbá (Foto: Jucimar de Sousa - Mais Goiás)

Com colaboração de Francisco Costa

“Hoje o helicóptero da polícia não apareceu, nem aqueles policiais de preto, eu acho até que esse cara tá é bem longe daqui.” A fala é de um homem que, da porta de um bar em Abadiânia, observava nesta terça-feira (30). Ela coincide com o que constataram os repórteres que, nesta data, estiveram na cidade tentando acompanhar as buscas ao suspeito de matar três pessoas no último domingo na zona rural de Corumbá de Goiás.

Ao contrário do que aconteceu na segunda-feira, quando vários policiais e viaturas da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitana (Rotam), do Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer), e até da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizaram incursões na zona rural de Abadiânia, à procura de Wanderson Mota Protácio, de 21 anos, nesta terça-feira apenas as chamadas “equipes de área”, que usam fardas e veículos nas cores convencionais, foram vistas patrulhando a região.

Informações obtidas com exclusividade pela equipe do Mais Goiás indicam que policiais da Patrulha Rural estariam no comando das buscas. Estes militares, inclusive, teriam averiguado nesta terça-feira, pelo menos, cinco endereços onde supostamente o suspeito estaria escondido, mas nenhuma delas se confirmou.

O portal tenta, desde cedo, apurar o número de policiais e informações sobre o cerco a Wanderson. Os órgãos oficiais, porém, repetem a mesma nota, sem responder aos questionamentos do veículo de comunicação.

“As investigações sobre os crimes estão a cargo da Delegacia Regional de Anápolis, com apoio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais e do Grupo de Investigação de Homicídios; outras informações só serão repassadas em momento oportuno, a fim de que não prejudique o transcurso das investigações.”

Rechaçam comparações com Lázaro

Embora as autoridades policiais rechacem comparações, é comum ler ou ouvir pessoas que associam a ação policial para capturar Wanderson Mota Protácio, ainda solto, à caçada que dizimou o serial killer Lázaro Barbosa. Inclusive, segundo informações de bastidores, a escassez de informações visa, justamente, não gerar publicidade e criar um “novo Lázaro”.

Wanderson e Lázaro cometeram crimes na zona rural. Os dois assassinaram famílias com métodos cruéis. Os dois pularam de fazenda em fazenda em busca de comida, água e armas. Os dois trouxeram terror aos moradores das pequenas cidades por onde passam. Os dois utilizaram a mata fechada para despistar a polícia. Os dois combinam homícidios a sangue frio com crimes sexuais (tentados ou consumados). Mas entre eles há uma diferença fundamental: a motivação.

Lázaro, que por semanas foi o homem mais procurado de Goiás, deu início à sua carnificina particular em Ceilândia. Invadiu uma casa e matou o empresário Cláudio Vidal, 48; dois filhos dele, Gustavo Marques, 21; e Carlos Eduardo Vidal, 15; e sequestrou a mãe deles, Cleonice Marques, 43. O corpo de Cleonice foi encontrado no dia 12. O que se sabe é que o serial killer foi contratado para exterminar a família. A motivação foi financeira.

Wanderson, por sua vez, parece ter agido por ciúmes. Pelo menos seria essa a principal linha de investigação da polícia, segundo uma fonte do portal. Com uma faca, o criminoso matou a esposa, Ranielle Aranha, que tinha 21 anos e estava grávida; e a filha dela, de um ano e oito meses. Horas depois, deslocou-se a uma propriedade rural vizinha e matou o fazendeiro Roberto Clemente Matos depois de beber com ele um copo de refrigerante. O criminoso também atirou no ombro da esposa de Roberto, Cristina Nunes, mas ela sobreviveu.

Corumbá: caso Wanderson

Wanderson Mota Protácio é suspeito de assassinar três pessoas na zona rural de Corumbá de Goiás. O crime aconteceu na noite de domingo (28).

As vítimas foram uma criança de 1 ano e 8 meses, enteada do suposto autor; a companheira do homem, Ranielle Aranha, que estava grávida; e o dono de uma propriedade vizinha, Roberto Clemente de Matos. As duas mulheres foram degoladas e o homem baleado na cabeça.

A mulher do produtor rural, única sobrevivente, foi baleada no ombro e denunciou os crimes. Segundo ela, o suspeito bebeu um copo de refrigerante antes de balear o marido dela. Depois, ele teria tentado estupra-a, mas ela conseguiu correr. Na fuga, ela foi atingida por um disparo no ombro.

Cronograma do caso Wanderson

Domingo (28) – Wanderson Mota Protácio matou três pessoas na zona rural de Corumbá de Goiás: uma criança de 1 ano e 8 meses, enteada do suposto autor; a companheira do homem, Ranielle Aranha, que estava grávida; e o dono de uma propriedade vizinha, Roberto Clemente de Matos.

Segunda-feira (29), manhã – Mais de 50 policiais participam de buscas ao criminoso que matou três pessoas em Corumbá

Segunda-feira (29), tarde – Forças policiais concentram buscas na zona rural de Abadiânia

Segunda-feira (29), tarde – Familiares vão ao IML para liberar os corpos das vítimas do triplo homicídio em Corumbá

Terça-feira (3), manhã – Começa o 2º dia de buscas a Wanderson Mota