Polícia suspeita que prefeitura de Piracanjuba pagava por exames não realizados

Investigações apontam que líder de esquema criminoso seria uma ex vereadora do município, presidente da associação filantrópica que recebe os recursos

Policiais civis cumprem mandado de busca e apreensão em Piracanjuba (Foto: Polícia Civil)
Policiais civis cumprem mandado de busca e apreensão em Piracanjuba (Foto: Polícia Civil)

A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (2), uma operação para investigar a denúncia que a prefeitura de Piracanjuba estaria pagando por exames médicos que não foram realizados. O esquema criminoso seria comandado por uma ex-vereadora daquela cidade, que é presidente da associação filantrópica que recebe o dinheiro para a realização dos exames. O nome e a idade da ex-vereadora não foram revelados.

De acordo com o que apurou a Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), desde o último mês de maio, a entidade filantrópica que é responsável por realizar exames médicos como ressonância, P.S.A., ultrassom, tomografia, e eletrocardiograma, teria recebido da prefeitura o pagamento por vários procedimentos não realizados. Uma única paciente, apontam as investigações, teria realizado, somente no dia 22 de julho, seis exames de ressonância, que custaram R$ 2,8 mil ao município.

Clínica supostamente usada na fraude que lesou a prefeitura de Piracanjuba (Foto: Polícia Civil)

Clínica supostamente usada na fraude que lesou a prefeitura de Piracanjuba (Foto: Polícia Civil)

“A princípio a prefeitura é apenas uma vítima dessa ex-vereadora, que, suspeitamos, armou um esquema para conseguir ficar com parte dos R$ 701 mil destinados especificamente para o Fundo Municipal de Saúde de Piracanjuba”, descreveu o delegado Francisco Lipari, da DECCOR.

Durante a operação desencadeada hoje, os policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão, em Piracanjuba, e Goiânia. Os documentos já estão sendo periciados, e, caso seja indiciada, a ex-vereadora responderá por estelionato.

De acordo com a Polícia Civil, a investigada foi vereadora em Piracanjuba por dois mandatos, entre 2008 e 2012, e 2012 e 2016.

Por meio de nota enviada à imprensa, a Casa de Apoio Paixão Pela Vida, disse que atua há mais de 11 anos de forma filantrópica, afirmou que todos os exames autorizados e pagos pela Prefeitura de Piracanjuba foram realizados, e que tem arquivados os nomes de todos os beneficiados, e cópias destes exames. Apesar de não estar sendo investigada, a Prefeitura de Piracanjuba também se posicionou, afirmou que tem arquivadas as fichas dos pacientes, e notas de todos os procedimentos pelos quais pagou.

Totem da clínica supostamente usada para lesar a prefeitura de Piracanjuba (Foto: Polícia Civil)

Totem da clínica supostamente usada para lesar a prefeitura de Piracanjuba (Foto: Polícia Civil)