Candidata do PMB com um voto diz que não sabia da disputa, mas presidentes rebatem
“Ela quis ser candidata. Tenho a filiação, ficha preenchida e fotos. Inclusive, ela escolheu o número, não tinha como não saber”, afirmou Santana Pires, que preside o partido no Estado

Candidata à Câmara de Goiânia, Rosélia José da Costa (PMB) teve apenas um voto. Mas não, o voto não foi dela. Em entrevista ao Jornal O Popular, ela disse que sequer sabia da candidatura, contudo, o presidente estadual da sigla, Santana Pires, rebate. “Ela quis ser candidata. Tenho a filiação, ficha preenchida e fotos. Inclusive, ela escolheu o número, não tinha como não saber”, relatou ele.
Ainda de acordo com a reportagem de O Popular, Rosélia soube da candidatura por meio das filhas, que moram em Senador Canedo. Ela relatou que esteve em reunião do partido – com uma vizinha -, mas não entendeu o que aconteceu. Ao veículo de comunicação, ela disse que fez uma foto, assinou um papel e foi embora.
Dona de casa de 52 anos, ela revela que não pediu votos. Ela também informou na reportagem que, quando soube, não pediu para tirar o nome da chapa, pois não queria mais se envolver.
Arrependimento?
A tese de Santana Pires é que a candidata se arrependeu. “O nosso partido é emergente, pequeno, simples e sem dinheiro. Não temos fundo partidário e nem financiamento público de campanha. Tem quer candidato por amor e com dedicação”, relatou.
Para ele, no meio do pleito ela deve ter desanimado. “Às vezes a pessoa filia, mas não tem o recurso financeiro, aí desiste. Mas com essa humildade e vontade de formar grupo fizemos dois vereadores”, comemorou. Destaca-se, a sigla elegeu para a Câmara Edgar Duarte Careca (2.905 votos) e Pastor Wilson (2.298 votos).

Cota
O PMB, no momento do pleito, não tinha os 30% de cota mínima destinada às mulheres. Estava com 28,21%. Pires explica que, o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (Drap) foi homologado e transitado em julgado com mais de 31%. Contudo, duas candidatas renunciaram a quatro dias da eleição e, naquele momento, já não havia o que fazer.
Vale lembrar, segundo o advogado eleitoral Bruno Pena, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio de jurisprudência, exige que há o momento para verificação das cotas e este é a homologação do Drap. Além disso, o jurista explica que qualquer adequação só era possível, neste ano, até 26 de outubro.
Presidente municipal
Júnior Café, presidente do PMB metropolitano, disse que, quando estava no começo das filiações veio a pandemia. “Eu tive que fazer, então, pessoalmente as filiações. Eu fiz a dela pessoalmente. Não tinha como ela não saber”, garantiu.
“Como assina uma ficha de filiação sem saber? E depois, como assina um registro sem saber? Ela foi pessoalmente e levou a documentação para assinar. Ela é alfabetizada. Realmente não tinha como saber. Ela dizer que não sabia, não procede.” De acordo com ele, todos os documentos, se houver, serão apresentados.
Durante o período, ele afirma, Júnior declara que ela chegou a dizer que não queria continuar, mas não apresentou a renúncia formalmente. “Por causa disso não pedimos, também, a produção de material.” Júnior continua dizendo que a sigla tem um nome a zelar. “Conseguimos montar em 43 dias uma chapa de vereador que elegeu dois nomes.”
O PMB defende a bandeira das mulheres, da família, de gênero, mas também acolhe homens, desde que abracem essa causa, ele explica. “Mesmo que a pessoa não tivesse chance, pedíamos as pessoas que continuassem mantivessem a candidatura, o que é normal. Mas manter candidatura fake, isso não fazemos.”
O Mais Goiás tenta conseguir o contato de Rosélia. O espaço segue aberto.