EQUIDADE

Cerimonialistas de Goiás buscam regulamentação após polêmica da ‘profissão multimídia’

Embora exista um código que permite o exercício da profissão, não há uma exigência de diploma específico ou registro em conselho de classe para atuar na área, diz presidente da AGCM

A profissão de cerimonialista no Brasil ainda não é regulamentada por lei federal, apesar de reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Com a regulamentação do profissional multimídia, no fim do ano passado, a Associação Goiana de Cerimonialistas, Mestres de Cerimônias e Afins (AGCM) em Goiás defende que a categoria também consiga a mesma aprovação.

Presidente da AGCM, Sandro Albuquerque cita que, embora exista um código na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) que permite o exercício da profissão, não há uma exigência de diploma específico ou registro em conselho de classe para atuar na área. Já existe no Congresso um projeto de lei para regulamentar a profissão de cerimonialista, técnico de cerimonial e auxiliar de cerimonial. Contudo, a proposta está parada no Senado, onde aguarda aprovação no plenário.

A medida, caso aprovada, pode estabelecer nível superior e técnico na área e garantir ao cerimonialista a responsabilidade exclusiva para eventos. Para Sandro, a mudança pode elevar a atuação desse profissional.

Diferentemente do profissional multimídia, que gerou debate e polêmica por ter caráter “genérico”, o cerimonialista já é um trabalhador consagrado, conforme Sandro. Para o presidente, é imperativo garantir essa regulamentação como medida de respeito.

Profissional multimídia

A novíssima profissão multimídia reconhece os profissionais que criam, editam e gerenciam conteúdos digitais (sites, vídeos, redes sociais, jogos). A sanção gerou críticas, sobretudo dos segmentos do jornalismo.

Para o Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor), a criação “foi feita sem diálogo com jornalistas e radialistas, abrindo brechas para a precarização do trabalho e para a fragilização de profissões historicamente reconhecidas”. O Sindjor esclarece, ainda, que “o jornalismo não é definido pelas ferramentas que utiliza”.

E completa: “Jornalistas sempre trabalharam com múltiplas linguagens, plataformas e tecnologias — muito antes de qualquer nova nomenclatura legal. Afinal, o jornalista diplomado é também um profissional formado em Comunicação Social.” Conforme o sindicato, o que define o profissional de imprensa é a formação específica, compromisso com a verdade, responsabilidade social e princípios éticos claros.

“A nova lei, ao criar uma categoria genérica centrada na operação de ferramentas, ignora esses fundamentos e desrespeita jornalistas e radialistas, que há décadas exercem essas funções com responsabilidade profissional e compromisso com a sociedade.”