Deputado bolsonarista diz que deveria ganhar ‘medalha’ por motim na Câmara
Zé Trovão (PL-SC) afirmou que, 'se for feita justiça', o processo no Conselho de Ética será arquivado

(FOLHAPRESS) – O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) afirmou nesta terça-feira (10) que ele e os demais parlamentares bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora da Câmara em um motim em agosto de 2025 deveriam ganhar “uma medalha” pelo episódio.
Zé Trovão deu a declaração durante depoimento ao Conselho de Ética no processo que pode levar à suspensão temporária de seu mandato e dos colegas Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS). Ele foi questionado por van Hattem sobre o que espera “se for feita justiça” na análise do caso.
“Espero que, se for feita justiça nesse caso, que esse processo se encerre de maneira a arquivar todas as denúncias que são fantasiosas contra nós. E deveriam nos dar uma medalha. Não por honrar a política, mas por honrar quem elege os políticos”, respondeu o deputado catarinense.
Zé Trovão declarou que a denúncia pela ocupação que paralisou o plenário ter sido apresentada apenas contra três deputados é “completamente injusto”. Segundo ele, mais de “70 parlamentares” deveriam estar na mesma posição, mas ele, van Hattem e Pollon teriam sido escolhidos como “exemplo”.
“Esse movimento, hoje, era para estar aqui mais de 70 parlamentares, passando por tudo isso. Deveria ter oitiva para 70 parlamentares, porque não foi só eu, não foi só vossa excelência (van Hattem), não foi só o deputado Marcos Pollon que participou. Nós fomos arrancados a dedo”, afirmou.
“Já ouviu falar de boi de piranha? Quando não se pode criminalizar a todos, pegue um e jogue ele na cadeia e deixa apodrecer que você resolve o problema dos outros. É só para servir de exemplo. Eles querem nos fazer de exemplo para alguma coisa”, completou.
O Conselho de Ética da Câmara abriu, em outubro do ano passado, quatro representações por causa do motim bolsonarista. Pollon, alvo de dois processos, está sujeito ao afastamento por 90 dias, enquanto Zé Trovão e van Hattem por 30 dias, conforme sugeriu a Corregedoria da Câmara.
Os três parlamantares estavam entre os principais entraves que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encontrou no percurso entre seu gabinete e a retomada da cadeira de chefe da Casa durante a ocupação, num trajeto que durou mais de seis minutos.
Trovão chegou a barrar a passagem de Motta com a perna, enquanto os outros dois se recusaram a deixar a Mesa quando o presidente se aproximou.