Eleições 2022

Empresária do agro orienta demissão de eleitores de Lula; MPT investiga

Uma empresária do agronegócio baiano orientou que empresários do setor demitam funcionários que votem no…

Uma empresária do agronegócio baiano orientou que empresários do setor demitam funcionários que votem no ex-presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Ontem, vimos aberrações do ‘cara lá’ no Jornal Nacional e eu queria falar algo para os nossos agricultores: façam um levantamento, quem vai votar no Lula e demitam. Demitam sem dó porque não é uma questão de política, é uma questão de sobrevivência. E você que trabalha com o agro e que defende o Lula, faça o favor, saia também”, disse Roseli Vitória Martelli D’Agostini Lins em vídeo divulgado nas suas redes sociais.

Ela também critica os eleitores que votarão em ACM Neto (União Brasil) para o governo do Estado. Roseli diz que os agricultores precisam tomar posição e que não se trata de uma questão de “direito” e sim de “sobrevivência”.

A empresária é sócia da Imbuia Agropecuária Ltda., de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia – região tradicional produtora de grãos e algodão. A empresa atua no cultivo de soja, algodão, milho, cana-de-açúcar, feijão, arroz e girassol. Em uma rede social, Roseli se diz aposentada, “conservadora” e “entusiasta pelos rumos que o Brasil está trilhando”, ao lado de uma foto em apoio aos atos de 7 de setembro.

Luís Eduardo Magalhães foi um dos apenas quatro municípios baianos, de 417, onde o presidente Jair Bolsonaro teve mais votos que Fernando Haddad (PT) nas eleições de 2018. Lem, como a cidade é conhecida, foi o município baiano que mais votou em Bolsonaro no último pleito, com 58,80% dos votos válidos contra 41,20% de Fernando Haddad, de acordo com dados do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). O presidente Bolsonaro esteve na cidade no fim de maio na abertura da Bahia Farm Show, segunda maior feira agropecuária do País. O agro é a base da economia da região.

Investigação

Após a divulgação do vídeo, o Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT) informou que está apurando se há assédio eleitoral nas declarações da empresária. Segundo o MPT, um inquérito civil foi instaurado para investigar o caso. “O caso foi enquadrado como assédio eleitoral, que é o conjunto de atitudes do empregador no sentido de induzir os trabalhadores a votar ou deixar de votar em um candidato nas eleições. O MPT vem chamando a atenção para a necessidade de que empregadores respeitem os limites legais e não adotem qualquer atitude que possa se caracterizar como constrangimento ou orientação àqueles que trabalhem para eles em relação ao processo eleitoral”, diz o ministério em nota.

O caso está sendo apurado pela unidade do MPT de Barreiras, município também do oeste baiano. A procuradora responsável pelo caso afirmou em apreciação prévia que a liberdade de expressão não se preserva diante de cidadãos constrangidos ao “voto de cabresto”. “As declarações extrapolam o âmbito da opinião, ultrapassando o limite da liberdade de expressão, tendo em vista que visam a reprimir o exercício da liberdade de voto de empregados do setor do agronegócio”, disse a procuradora.

Ao Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a assessoria do MPT informou que a procuradora já possui as informações para notificar a autora das declarações para prestar esclarecimento e que ainda nesta semana deve ter a data do depoimento agendada.