FIM DE UMA ERA

‘Goiás me deu tudo’: Caiado se despede do governo com discurso emocionado

Caiado elogiou Daniel Vilela, criticou antecessores e agradeceu pela alta aprovação popular em seu último discurso como governador

O agora ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado despediu-se do cargo, na tarde desta terça-feira (31), com um discurso emocionado para deputados, prefeitos e aliados no plenário da Assembleia Legislativa do Estado. Em seu último pronunciamento, Caiado fez um balanço dos sete anos e quatro meses de mandato, ao mesmo tempo em que firmou os alicerces da narrativa que deve sustentar a campanha dele a presidente da República.

“Goiás me deu tudo”, afirmou o ex-governador. “Vocês sabem que o momento é muita emoção. Já pensaram bem no que vocês me deram, e à minha família? É uma honra poder chega hoje à Assembleia e dizer que eu não desonrei o apoio de vocês. Eu encerro o meu mandato com aprovação de 88%, tendo o carinho das pessoas mais humildes e de todos os segmentos da sociedade”.

Daniel Vilela acena antes de tomar posse como governador (Foto: Assembleia Legislativa)

Ao pontuar avanços da própria gestão, Caiado reiterou críticas à administração que o antecedeu, do ex-governador Marconi Perillo. “Tive apoio de todos os Poderes na missão de tirar o governo da criminalidade, da corrupção, da falta de pagamento ao servidor e aos prestadores de serviço”, disse. “Vocês viviam atemorizados, não deixavam os filhos sair à noite. A pessoa não podia ir à igreja, ao culto, à festa, porque era muitas vezes vitimada pelo crime. Hoje somos uma verdadeira ilha de segurança no país. Aqui bandido não se cria e continuará não se criando”.

Elogios a Daniel

Caiado também fez elogios ao sucessor, o vice-governador Daniel Vilela. Lembrou que ambos foram adversários na eleição de 2018 e que o respeita pelo comportamento e pela trajetória política que construiu. Fez menção também ao ex-governador Maguito Vilela, de quem Daniel é filho e herdou o espólio.

Caiado, Gracinha, Daniel e Iara sobem escada da Assembleia Legislativa (Foto: Alego)

“Ninguém me impôs o vice. Posso dizer que escolhi o meu vice-governador para continuar meu trabalho em Goiás. Muitos diziam que eu havia escolhido muito cedo naquela época, e que até a eleição eu mudaria de ideia. Mas está aí: governou ao meu lado, conhece toda a parte orçamentária, veio de uma origem política importante e tem a responsabilidade de honrar o nome da família. Saberá combater a corrupção, criminalidade, e apoiar as pessoas de bem. Passou pela Câmara, Assembleia, presidiu a CCJ e também me enfrentou em 2018. Por isso eu o busquei”.

Indiretas a Flávio Bolsonaro

Caiado (PSD) deu indiretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) – contra quem disputará os votos dos eleitores de direita na disputa pela presidência da República.

A primeira indireta foi ao fato de Flávio nunca ter ocupado um cargo no poder Executivo e ter uma vida política breve. “Meu pai me ensinou muito. Eu era muito afoito e ele dizia ‘calma, a vida não é assim. A vida nos impõe degraus e não é inteligente suprimi-los’. Eu não ouvi e quis começar minha trajetória como candidato a presidente em 1989. Collor é apenas dois anos mais velho. Ele ganhou a eleição e deu no que deu. Faltou experiência, autoridade moral. Não se aprende a governar um cargo da presidência. Não se aprende a ser um bom juiz sendo elevado a desembargador sem passar pelas comarcas e ver a vida como ela é. Não se aprende a ser um bom médico sem passar pela residência”.

Caiado recebe cumprimento de forças de segurança (Foto: Assembleia Legislativa)

Em outro momento do discurso Caiado afirmou que o lema de sua vida é o de cuidar das pessoas, seja como médico ou como governador. Foi então que ele mencionou ter levado essa missão a cabo durante a pandemia. Sabe-se que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi criticado pela forma com que conduziu a saúde pública durante a Covid-19.

Por fim, o agora ex-governador de Goiás afirmou que não se pode presidir um país pelo caminho da radicalização e que respeita a democracia – outro recado ao bolsonarismo, que em janeiro de 2022 se envolveu em uma tentativa de suplantar o resultado da eleição presidencial.

Daniel Vilela chega à solenidade de posse (Foto: Assembleia Legislativa)

“De quantos embates eu participei no Congresso? Ganhando, perdendo, mas sempre com argumento e conteúdo. Isso é o que faz a democracia. Temos que despoluir o ambiente, e combater a radicalização na política. Não se governa pelo enfrentamento, mas construindo a paz. Fui eleito com 14 prefeitos e reeleito, quatro anos depois com apoio de quase 246. Tinha dez deputados estaduais e rapidamente conquistei a maioria, porque trabalhamos de forma respeitosa”, complementou o governador.