Na CPI, Caiado critica MST por se apresentar como “protetor dos pobres e desassistidos”
"Com a promulgação da Constituição, esse assunto foi pacificado do ponto de vista de normas que regem uma democracia. Não é a vontade de cada um"

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), na Câmara dos Deputados, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) disse em seu discurso inicial que o assunto já deveria ter sido superado. “Iniciei esse debate em 1985.” Ele criticou o discurso do MST de que não há reforma agrária, a falta de estrutura aos assentados e a postura de “defensor de pobre”.
Para ele, em 2023, “não teria sentido estar discutindo [essa questão do MST e propriedade privada]. Com a promulgação da Constituição, esse assunto foi pacificado do ponto de vista de normas que regem uma democracia. Não é a vontade de cada um.” Segundo ele, a Constituição confere o direito de propriedade como norma.
“O MST deveria ter aprendido que vivemos em uma democracia. É inaceitável as pessoas quererem impor suas vontades acima do que a lei determina como parâmetro de convivência. E, insistem alguns, em querer trazer para o debate a desqualificação do produtor rural. Tentando demonizá-lo.”
Para ele, o MST perdeu o sentido. “Não tem sentido produzir a sensação de que o Brasil não tem programa de reforma agrária. Só meu Estado são 405 assentamentos. 24 mil famílias. Só no momento em que cheguei ao governo fizemos convênio com a Ambev para atender os assentados, para produção de cerveja [de mandioca]. Para garantir uma renda”, citou um dos casos que recebeu apoio.
Caiado afirmou, ainda, que o MST instala pessoas no campo sem estrutura. “As pessoas não podem se intitular como protetores dos pobres e desassistidos. É falso.” Segundo ele, defensor de pobre é quem usa a estrutura de governo para dar dignidade à população. “Precisamos de ter transparência nas nossas ações. O MST não existe, não tem entidade, estatuto, pessoa física, CNPJ.”
Ele ainda acusou a existência de falsos assentamentos para abrigar tráfico de drogas, sendo interrompido pela oposição. “Eles não estão cuidando de pessoas pobres. Depoimentos mostraram que pessoas são escravizadas dentro desses assentamentos”, continuou. Caiado teve 30 minutos para a fala dele na abertura dos trabalhos da CPI. Relator da Comissão, o deputado Ricardo Salles cedeu o tempo dele para o goiano dar sequência à apresentação.