Na capital

Passagem de Nikolas por Goiânia expõe crise interna no PL goiano; entenda

Evento bolsonarista foi marcado por comentários sobre a ausência do presidente estadual da sigla e pré-candidato ao governo, Wilder Morais

O encontro denominado “Acorda, Goiás”, organizado pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL), e que contou com a participação do colega de bancada Nikolas Ferreira, no último sábado (11), foi marcado por comentários sobre a ausência do presidente estadual da sigla e pré-candidato ao governo goiano, Wilder Morais.

O ato foi realizado no Tatersal de Elite da Pecuária de Goiânia e reuniu bolsonaristas e representantes da direita. Embora a organização tenha afirmado que o encontro teve caráter suprapartidário e que, por isso, nenhum pré-candidato ao governo foi convidado, nos bastidores a ausência foi interpretada como reflexo da indisposição entre ele e o federal, que é pré-candidato ao Senado.

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Ponto de partida

Desde fevereiro, o PL goiano convive com um clima de tensão entre Gayer e Wilder. O desgaste teve início quando o senador decidiu visitar Jair Bolsonaro, que à época estava preso na Papudinha, a fim de obter autorização para disputar o governo. Após receber sinal verde, Wilder deixou o encontro já na condição de pré-candidato ao Executivo estadual.

Paralelamente, Gayer, que é pré-candidato ao Senado, articulava a possibilidade de disputar a vaga ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado, em uma eventual composição com a base governista. Nos bastidores, aliados do deputado avaliavam que seria possível construir uma aliança capaz de viabilizar eleitoralmente ambos os grupos.

Deputado federal Nikolas Ferreira durante evento da direita em Goiânia (Foto: Jucimar de Souza)

No entanto, a entrada de Wilder na corrida, ainda que em fase de pré-candidatura, foi interpretada como um movimento que enterrou as articulações de Gayer. Desde então, ambos se distanciaram e são vistos cada vez menos em agendas conjuntas.

Integrantes do diretório avaliam que o principal risco é o partido chegar à disputa eleitoral dividido, cenário que não favorece nenhum dos projetos políticos da direita. Dias antes do encontro do último sábado, ambos foram vistos em um evento do agronegócio na região sudoeste do Estado. A leitura, a princípio, foi de pacificação. O “Acorda Goiás”, porém, foi na contramão do discurso. Procurados, Gayer e Wilder ainda não se manifestaram.

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Do estadual ao nacional

Principal nome do evento em Goiânia, Nikolas Ferreira também enfrenta turbulências no cenário nacional. Recentemente, o deputado protagonizou um desentendimento público com o ex-colega de bancada Eduardo Bolsonaro, que deixou o mandato e atualmente está nos Estados Unidos.

A troca de farpas mobilizou lideranças do bolsonarismo. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que pretendia viajar aos Estados Unidos para conversar pessoalmente com Eduardo, após se reunir com Nikolas em Brasília. “Vamos acertar isso”, declarou.

A crise começou depois que Eduardo criticou perfis conservadores que, segundo ele, não estariam demonstrando apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026. Na sequência, Nikolas compartilhou conteúdo de um dos perfis mencionados, gesto interpretado como provocação.

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Após Eduardo insinuar que o deputado mineiro estaria impulsionando publicações que não favoreciam seu irmão, Nikolas reagiu com um “kkk”. A resposta elevou o tom do embate. Eduardo questionou o que chamou de “risinho de deboche” e publicou um desabafo de mais de 2.700 caracteres direcionado ao parlamentar.

Em meio ao desgaste, Flávio Bolsonaro fez um apelo público por racionalidade e união, afirmando ser “angustiante” ver lideranças do mesmo campo político em confronto enquanto, segundo ele, há um projeto maior em disputa. O senador citou um versículo bíblico ao defender o perdão e afirmou que o foco deve permanecer em um objetivo comum.

Após a discussão, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou nas redes sociais um vídeo publicado por Nikolas Ferreira. Embora o conteúdo não tratasse diretamente do desentendimento, o gesto foi interpretado nos bastidores como sinal de apoio ao deputado mineiro, ampliando as especulações sobre um clima de tensão também no núcleo da família Bolsonaro.