Recém-filiado ao PSD, Caiado já chamou Kassab de ‘traíra’, ‘cafetão’ e ‘caráter líquido’
Caiado anunciou filiação ao PSD no dia 27 de janeiro depois de constatar de que corria o risco de ficar sem espaço para ser candidato no UB

(O Globo) Após sair anunciar a saída do União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se filiou ao PSD. O presidente da sigla é Gilberto Kassab, que publicou uma foto nesta terça-feira ao lado do gestor goiano para oficializar a aliança. Em 2015, no entanto, eles estavam em lados opostos, e Caiado chegou a dirigir uma série de impropérios contra Kassab, a quem definiu como o “cafetão do Palácio do Planalto”. Àquela altura, o governador ocupava o cargo de senador pelo DEM, enquanto o líder do PSD era o ministro das Cidades do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
O ataque de Caiado foi motivado pela acusação de que Kassab estaria cooptando parlamentares de outras siglas para o Partido Liberal (PL). O governador afirmou, ainda, que Kassab tratava os deputados como “garotas de programa” para viabilizar seu novo partido e inflar a base aliada à Dilma.
“Em vez de se comportar como ministro, Kassab adota postura de cafetão e acha que deputados são garotas de programa para viabilizar o PL”, publicou Caiado, em janeiro de 2015, na antiga rede social Twitter (atualmente X).

Caiado afirmou que o PL fundado por Kassab era um partido “natimorto”, sem tempo de televisão e nem direito ao fundo partidário. Em 2011, o DEM do qual Caiado fez parte já havia sido desidratado quando Kassab capitaneou a criação do próprio PSD, legenda formada para integrar a base governista na época.
Na ocasião, o DEM perdeu mais de 15 deputados para a nova legenda de Kassab. Para Caiado, a criação do novo partido seria “uma fraude” para “enfraquecer a oposição” e “inflar a já grande base do governo”:
“Homem sem posição, de caráter líquido, que se molda ao formato do poder. Constrangimento é a lista de crimes de Kassab, que transforma a política em negociata, corrupção e fraude eleitoral”, também publicou Caiado.



Filiação ao PSD
Antes de anunciar a filiação ao PSD, Caiado afirmou nesta terça-feira, em entrevista à rádio Novabrasil, em Goiânia, que já havia comunicado a cúpula do União Brasil sobre seu intuito de buscar outra alternativa partidária. A razão foi a falta de endosso da sigla em sua candidatura à Presidência.
— Já informei o presidente do partido, o Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo-irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar — afirmou.
Caiado agora se junta a um partido que já tem outros dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto: os governadores do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Em vídeo divulgado ao lado de Ratinho e de Leite, no qual anunciou sua filiação, Caiado afirmou que fez um “gesto de total desprendimento”, e indicou que o PSD ainda decidirá, entre os três, quem será o candidato à Presidência neste ano.
— Aqui não tem interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido levará esta bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera. É dessa maneira que sou recebido aqui. E tenho a graça de ter a minha filiação partidária ao PSD. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais — afirmou o governador.
Por ora, Ratinho Jr é visto como o favorito dentro do PSD para se candidatar à Presidência. O presidente do partido, Gilberto Kassab, porém, não fecha as portas para outros nomes, e também tem elogiado posicionamentos públicos de Eduardo Leite.
Ao divulgar a filiação de Caiado em suas redes sociais, nesta terça, Kassab afirmou que o trio de governadores passa a “trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”.