Sem verba, Santa Casa de Anápolis suspende parte dos serviços do pronto-socorro

Iniciativa foi tomada após "várias tentativas de solução junto aos gestores da saúde pública"

Foto: Santa Casa de Anápolis/Divulgação

O hospital filantrópico Santa Casa de Anápolis encerrou, no último dia 5 de julho, parte dos serviços que eram oferecidos no pronto-socorro SUS da unidade. Entre eles, cirurgias gerais de emergência, atendimento pediátrico e ortopédico. A medida, segundo o hospital, foi tomada devido à falta de recursos para manutenção do pronto-socorro SUS mesmo após “várias tentativas de solução junto aos gestores da saúde pública”.

Em nota divulgada nesta segunda (12), o hospital argumenta que “a responsabilidade pela oferta do serviço público de saúde à população é do Município, do Estado e da União” e que o poder público, “segundo a necessidade da rede de assistência, pode buscar parceiros para complementar os serviços oferecidos à população”.

Nesse sentido, a Santa Casa diz que sustentou os serviços pelo SUS do pronto-socorro por mais de 25 anos com “recursos insuficientes” à população de mais de 100 municípios. Porém, após “várias tentativas frustradas de solução junto aos gestores da saúde pública”, tanto do Estado de Goiás quanto do município de Anápolis, não teve outra alternativa senão o fechamento dos serviços.

Os serviços encerrados foram os seguintes: clínica geral; cirurgia geral de emergência; estabilização (sala vermelha); ortopedia e pediatria. Permaneceram os seguintes serviços: emergência obstétrica; emergência oncológica (pacientes cadastrados) e cirurgias, internações, UTIs, etc. pelo SUS, que permanecem normais.

Com o fechamento, a Santa Casa orienta os pacientes a procurar a rede local.

O que diz o Estado de Goiás

A reportagem do Mais Goiás tentou contato com a Prefeitura de Anápolis sobre o caso, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto. Já a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) declarou, por meio de nota, que a Santa Casa de Anápolis “recebe recursos federais para atuar como porta de entrada de urgência e emergência” e que “o não cumprimento dos atendimentos pode acarretar na suspensão das habilitações”.

A pasta informou ainda que “foram feitas várias tratativas com a SES-GO para evitar o descredenciamento mas as mesmas não lograram êxito”, mas que a unidade “não conseguiu se organizar para retornar a oferecê-los”, se referindo aos serviços obrigatórios. Veja a nota na íntegra:

“A Santa Casa de Misericórdia de Anápolis (SCMA), unidade filantrópica e com gestão própria, recebe recursos federais para atuar como porta de entrada de urgência e emergência (pronto-socorro) em diversas especialidades na Macrorregião Centro-Norte de Goiás. Por se tratar de serviços habilitados com repasse de recursos federais, por meio de Portarias do Ministério da Saúde, o não cumprimento dos atendimentos pode acarretar na suspensão das habilitações.

Foram feitas várias tratativas com a SES-GO para evitar o descredenciamento mas as mesmas não lograram êxito. A SES-GO, SMS Anápolis e Conselhos de Secretários Municipais de Saúde (COSEMS) atuaram em conjunto para sanar o problemas, mas a SCMA já não vinha disponibilizando serviços obrigatórios por portaria ministerial há alguns meses e não conseguiu se organizar para retornar a oferecê-los.

A SES-GO está organizando nova forma de prestação desse serviço para a região.”