Presidente da Câmara de Aparecida (GO) rebate ministra do TSE: “Eu detesto vitimismo”

Ministra do TSE criticou arquivamento de inquérito sobre violência contra vereadora em Aparecida de Goiânia

O presidente da Câmara de Aparecida de Goiânia, André Fortaleza (MDB), respondeu fala da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Maria Claudia Bucchianneri, que criticou o arquivamento do inquérito sobre violência política de gênero no caso da vereadora Camila Rosa (PSD). “Eu detesto vitimismo. Eu jamais iria me colocar na condição de vítima”, disse o parlamentar durante sessão realizada na manhã desta quinta-feira (19).

André Fortaleza argumentou que tanto o pedido de arquivamento do Ministério Público Eleitoral quanto o arquivamento pela Justiça Eleitoral foram taxados de machista, no entanto, a delegada que elaborou o inquérito e jornalista da TV Anhanguera, que fez matéria sobre o assunto, não foram consideradas feministas. “Que igualdade é essa?! Há igualdade quando qualquer pessoa da classe feminina (sic) denuncia um homem ele tem que ser condenado?”, indagou.

O presidente da Câmara diz que o microfone dele foi cortado por diversas vezes na legislatura passada. Assim, como ele também cortou de outros vereadores e não foi considerado machismo. “Eu não cortei microfone de vereadora. Cortei microfone de parlamentar”, disse.

Ele criticou ainda o fato de a ministra ter comentado que várias entidades nacionais e regionais se reuniram com o magistrado sobre o caso de violência de gênero em Aparecida. “Eu nunca procurei o promotor e o juiz. Se eu procurasse estaria querendo influenciar. Agora entidades podem procurar um juiz para influenciar um parecer/?! Não precisamos de juiz, nem de Ministério Público”, disse.

“Eu quero ver o que essas pessoas que colocam a classe feminina contra a classe masculina o que ela vem fazendo de produtivo para própria classe”, continuou. “Temos que parar com o sensacionalismo e ser real. Parar de querer ganhar política com falácias e jeitinho. Eu não me coloquei, senhora ministra, na condição de réu. Eu detesto vitimismo. Eu jamais iria me colocar na condição de vítima. Espero que Deus abençoe a senhora e todas as entidades que procuraram o juiz, as feministas, que vocês tenham um pouco mais de dicernimento”, apontou.

Ministra

A ministra do TSE Maria Claudia Bucchianneri disse, durante congresso realizado na manhã de quarta-feira (18), em São Paulo, que a vereadora deixou de ser vítima e virou ré em decisão da Justiça Eleitoral. “De vítima passou a ser escrutinizada”, disse ao ler trecho do promotor do Ministério Público Eleitoral (MPE), Milton Marcolino dos Santos, que dizia que a vereadora havia se excedido na fala e não teve o decoro.

“O senhor promotor disse que quando ela chora, ela se vitimiza”, continua a ministra do TSE.

Maria Claudia Bucchianneri ainda lê trecho em que o promotor diz que as pautas de gênero coloca homem contra mulheres, brancos contra pretos, ricos contra pobres e héteros contra homossexuais. A ministra comenta que o Observatório de Violência Política, além de outras entidades, estiveram com o magistrado, mas “sua excelência entendeu que o caso era mesmo de arquivamento por atipicidade”.

“Disse ele que cortar microfone é comum, portanto não havia nenhum dolo de gênero envolvido. O que mostra que precisamos mesmo nos empenharmos para essa lei pegar e para a gente mudar o ambiente político para nossas mulheres”, pontuou.

Entenda

O juiz da 1332ª Zona Eleitoral, Desclieux Ferreira da Silva Júnior, decidiu pelo arquivamento do inquérito policial contra o presidente da Câmara de Aparecida de GoiâniaAndré Fortaleza (MDB), por violência política de gênero. O processo foi movido pela vereadora Camila Rosa (PSD) após episódio em que teve o microfone cortado durante sessão na casa legislativa.