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Presidente do Partido Democrata pede revisão dos resultados de Iowa

A revisão -diferente de uma recontagem- deve ser feita em cada um dos mais de 1.600 locais onde ocorreram os caucuses

Presidente do Partido Democrata pede revisão dos resultados de Iowa

O presidente do Partido Democrata, Tom Perez, pediu nesta quinta-feira (6) uma revisão (“recanvass”) do caucus de Iowa, depois de uma série de problemas que atrasou os resultados da primária no estado levantar dúvidas sobre a lisura do processo.

“Já chega. Tendo em vista os problemas que surgiram na implementação do plano de seleção de delegados e para garantir a confiança do público nos resultados, apelo ao Partido Democrata de

Iowa para que inicie imediatamente uma revisão”, disse Perez em uma postagem no Twitter.

Em uma revisão, os números divulgados pelo Partido Democrata de Iowa serão conferidos com os resultados registrados nas zonas eleitorais. A ideia é garantir que a contagem passada pelas autoridades dos locais de votação à direção estadual do partido estão corretas.

O próprio Perez explicou em um segundo post o que quis dizer: “Recanvass é uma revisão das planilhas de cada local de caucus para garantir a precisão”.

A revisão -diferente de uma recontagem- deve ser feita em cada um dos mais de 1.600 locais onde ocorreram os caucuses. Por outro lado, a recontagem é, como o nome diz, uma nova contagem de cada uma das cédulas, um processo mais complexo e que precisa ser determinado por ordem judicial.

Mais cedo nesta quinta, o jornal The New York Times relatou que mais de cem zonas eleitorais de Iowa repassaram ao partido resultados inconsistentes, com dados incompletos ou que não eram possíveis dentro das regras do caucus, colocando a precisão da contagem em dúvida.

Segundo a publicação, em alguns casos as contagens de votos não foram exatas, e em outros as zonas eleitorais alocaram o número errado de delegados para cada candidato (cada concorrente ganha um número de delegados que vai representá-lo na convenção nacional dos democratas, em julho). Além disso, os resultados informados pelo partido não conferem com os resultados de algumas zonas eleitorais.

Nenhum vencedor foi declarado até o momento, quatro dias após os caucuses ocorrerem em mais de 1.600 zonas eleitorais do estado, na segunda (3). Com 97% dos locais apurados, Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend (no estado de Indiana), lidera com 26,2%, enquanto o senador Bernie Sanders vem logo atrás, com 26,1%.

Ainda não se sabe quando o resultado final será divulgado, em um processo conturbado que dificultou os esforços democratas na campanha eleitoral contra Donald Trump -as eleições são em 3 de novembro, e o nomeado da sigla será anunciado em julho.

Em 2016, os resultados de Iowa foram anunciados em apenas três horas. Neste ano, o atraso se deu por causa de mudanças nas regras de divulgação e de problemas técnicos no aplicativo que o diretório estadual da legenda adotou para computar os votos, que não foi testado antes do voto.

Coordenadores das zonas eleitorais tiveram dificuldades para baixar o app e fazer login; alguns relataram erros na hora de enviar os números. Muitos decidiram telefonar para o escritório do partido e reportar os resultados, como foi feito nas últimas primárias. As linhas, no entanto, ficaram congestionadas, e houve casos de espera de mais de quatro horas.

De New Hampshire, onde faz campanha para para a próxima primária, Sanders chamou a contagem de Iowa de “falida” e disse que era injusto com todos os candidatos. Na quarta (5), o ex-vice-presidente Joe Biden chamou todo o processo de “um soco no estômago”.

Depois do episódio, o Partido Democrata de Nevada, onde haverá um caucus em 22 de fevereiro, não usará o aplicativo, informou uma porta-voz da sigla, Molly Forgey.
Trump criticou o processo, apesar de seu próprio partido ter trocado o vencedor declarado de Iowa duas semanas depois de seus caucuses no estado em 2012.