Procura por testamentos em Goiás aumenta 42% durante a pandemia

De acordo com cartórios, registro passou de 612 documentos em 2019 para 868 testamentos realizados em 2020

Cartórios de Goiás passam a reconhecer firma por autenticidade de forma digital
Cartórios de Goiás registram aumento de quase 42% em testamentos durante pandemia (Foto: reprodução/Sistema Sul)

Os cartórios de Goiás registraram aumento de quase 42% na procura por testamentos durante a pandemia, segundo informações do Colégio Notarial do Brasil – Seção Goiás (CNB/GO). Os dados mostram que os 868 documentos foram cadastrados no segundo semestre do ano passado, contra 612 registros no mesmo período de 2019. Considerando-se os 12 meses de cada ano, a quantidade de testamentos efetuados também cresceu, alta de 34% entre os 2019 e 2020. O valor é superior à média histórica estadual, que apontava crescimento médio de 7,70% por ano desde 2010.

O testamento é um documento pelo qual a pessoa declara para quem pretende deixar os seus bens após a morte. O ato é concretizado na presença de duas testemunhas que não podem ser beneficiárias do registro. A presença de um advogado é opcional e o documento pode ser alterado ou revogado enquanto o requerente estiver vivo e lúcido. A validade tem início após a morte o testador.

O aumento da procura por esse tipo de recurso cartorário aumentou durante a pandemia porque, segundo presidente da CNB/GO, Alex Valadares Braga, a crise sanitária fez com que pessoas parassem para refletir sobre a morte. Esse comportamento, por consequência, faz com que cada um passe a planejar a herança, antecipando o tema em debates familiares.

“As pessoas passaram a ver os testamentos como uma garantia de suas vontades em caso de morte. A crise de saúde mundial fez muitas pessoas refletirem sobre o destino de seus bens, para que sejam corretamente encaminhados e suas vontades cumpridas, em caso de morte, utilizando instrumentos legais que evitem futuras disputas entre familiares e garanta a segurança jurídica aos envolvidos”, observa.

O presidente ainda aponta que outro fator que deve ter contribuído com o aumento de registro foi o fato do documento poder ser requerido de maneira eletrônica. Desde o início da pandemia, segundo o CNB, foram mais de 37 mil atos notarias registrados de forma digital.