FolhaPress

Profissionais denunciam falta de equipamentos de proteção em hospitais goianos

Servidores temem contágio do novo coronavírus diante da falta de máscaras cirúrgicas, luvas e toucas descartáveis

O número de casos de coronavírus confirmados subiu para 49 em Goiás. No Estado, há 2.300 casos suspeitos em investigação. (Foto: JEFF PACHOUD/ AFP)
O número de casos de coronavírus confirmados subiu para 49 em Goiás. No Estado, há 2.300 casos suspeitos em investigação. (Foto: JEFF PACHOUD/ AFP)

Falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em hospitais de Goiás durante período de pandemia do novo coronavírus. É o que denunciam profissionais ligados à área da saúde no Estado. Médicos, enfermeiros, técnicos e equipes de limpeza temem contágio do vírus diante da falta de máscaras cirúrgicas, luvas e toucas descartáveis. Denunciantes afirmam ainda que servidores acima de 60 anos, pertencentes ao grupo de risco da covid-19, não foram liberados e continuam trabalhando sem a assistência necessária.

Uma enfermeira que atua no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage (Hugol) e preferiu não ser identificada conta que o sentimento na unidade de saúde é preocupação e medo. “Nós estamos na linha de frente no cuidado de pessoas infectadas com o vírus. O mínimo que esperamos é condição adequada de proteção individual. Como fica a população se a gente for contagiado?”questionou.

De acordo com ela, na última semana os servidores tiveram que utilizar a mesma máscara cirúrgica durante todo o dia, quando a recomendação é a troca a cada duas horas. Em alguns casos, conforme o relato, o equipamento nem era destinado aos profissionais. “A direção argumentou que nem todos os pacientes possuíam coronavírus e, por isso, a máscara não era necessária para os casos que não eram considerados suspeitos”.

“A gente sabe, porém, que a transmissão é comunitária e que há alto índice de proliferação. Alguns pacientes sequer apresentam sintomas. Que tipo de argumento é esse? Todos os profissionais da área precisam desse cuidado”, criticou.

Mais problemas

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (SindiSaúde-GO), Flaviana Alves, relatou ao Mais Goiás que além da falta de EPIs, problema considerado por ela como grave, os profissionais da área enfrentam outras dificuldades. De acordo com ela, os problemas não se restringem ao Hugol, mas se estende ao Hugo e diversos Cais de Goiânia.

Uma delas, segundo a representante dos trabalhadores, é o fato de servidores com idade acima de 60 anos e/ou com doenças crônicas e grávidas ainda serem obrigados a permanecer em atividades nas unidades de saúde. “Estão simplesmente colocando pessoas do grupo de risco para manter contato direto com pacientes infectados. Isso é um risco à vida. É inadmissível”.

Ainda conforme explica Flaviana, os servidores também denunciam o número reduzido de funcionários para atender a demanda que só cresce nos hospitais. “O que a gente quer é que estes trabalhadores tão importantes neste período de pandemia sejam valorizados e tenham condições mínimas de atuação. É preciso dar suporte tanto no que tange à proteção da saúde quanto à questão do número de servidores”, salientou.

A presidente do SindiSaúde ressaltou que as demandas já foram encaminhadas à Secretaria de Saúde de Goiânia (SMS) e de Goiás (SES). A denúncia também foi levada ao Ministério Público do Trabalho (MPT-GO). “O nosso pedido é que os profissionais registrem toda a falta de estrutura em um livro de ocorrências com testemunhas. A primeira reação dos órgãos é falar que os problemas não ocorrem. Então vamos deixar tudo registrado”.

O outro lado

Em nota (confira íntegra abaixo), a SMS informou que não há falta de máscaras nas unidades de Goiânia para atender os profissionais da saúde em conformidade com as recomendações da Anvisa. Segundo o texto, já foi publicado no Diário Oficial do Município as regras para servidores com idade acima de 60 anos. Pessoas que se enquadrarem neste grupo serão dispensadas gradualmente desde que o atendimento ao usuário não seja prejudicado.

Também por meio de nota, o Hugo disse que ainda não foi notificado pela SES sobre a demanda apresentada pelo SindiSaúde. O Mais Goiás aguarda posicionamento do órgão de saúde estadual.

Nota do Hugol:

O Hospital Estadual de Urgências da Região Noroeste de Goiânia Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES), informa que os colaboradores possuem a infraestrutura, insumos e equipamentos de proteção individual necessários para a realização da assistência, em quantidade e qualidade adequadas para a segurança do colaborador e do paciente atendido. O estoque desses itens é acompanhado constantemente pela SES. Além disso, os colaboradores com mais de 60 anos foram afastados da jornada de trabalho.

Nota da SMS:

O uso de EPIs é normatizado pela Anvisa. Segundo nota técnica nº 4 da Anvisa, atualizada em 21/03/2020, as máscaras cirúrgicas (brancas) são destinadas aos profissionais de saúde e de apoio que prestam atendimento a menos de um metro dos pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19 . O recepcionista por exemplo, pode fazer o atendimento com mais de um metro de distância, portanto não necessita usar. Porém, se ele atender uma pessoa com sintomas de gripe, ele deve oferecer a máscara para o paciente. Já a máscara N-95, (azul) deve ser utilizada pelo profissional de saúde que realizar procedimentos que gerem aerossóis exemplo: intubação ou aspiração traqueal, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, coletas de amostras nasotraqueais..
É importante lembrar que a Anvisa determina que não seja feito o uso indiscriminado de máscaras em profissionais que não necessitam. Não há falta de máscara nas unidades de saúde de Goiânia para atender os profissionais de acordo com as recomendação da Anvisa.

A SMS já publicou nesta segunda-feira, 23/03, no Diário Oficial do Município , a Portaria 110 que estabelece, entre outras situações, as regras para os servidores a partir de 60 anos. No Art. 7º. Os servidores com 60 (sessenta) anos ou mais serão dispensados gradativamente de suas atividades laborais após substituição dos mesmos, desde que não prejudique o atendimento aos usuários. No Parágrafo único. O servidor com 60 (sessenta) anos ou mais que recusar a dispensa assinará um Declaração de ciência dos riscos da manutenção da atividade laboral durante a Situação de Emergência Pública