Reforma em maternidade de Senador Canedo preocupa Conselho de Medicina

Maternidade Municipal Aristina Cândida é a única unidade pública da região

Reforma em maternidade de Senador Canedo gera polêmica (Foto: Google Maps)

Uma reforma prevista para a maternidade de Senador Canedo tem gerado controvérsia entre entidades ligadas à Saúde. A restauração da Maternidade Municipal Aristina Cândida, única unidade pública da região, foi anunciada pela prefeitura em julho deste ano após um laudo técnico verificar problemas na estrutura. Porém, entidades como o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) manifestaram preocupação com uma apontada interrupção dos serviços no local.

Em nota divulgada nesta tarde (6), o Cremego se disse preocupado com o fechamento da maternidade para as reformas, que devem começar em breve e durar meses. “A interrupção do atendimento na unidade neste momento vai prejudicar sensivelmente a população, que deixará de contar com a assistência prestada no local, o que acabará sobrecarregando outros centros de saúde do município e da capital.”

Interrupção de serviços na maternidade de Senador Canedo

O Conselho diz ainda que a “interrupção parcial, temporária e coordenada dos serviços é uma estratégia adotada regularmente e com segurança durante reformas em unidades de saúde” e que poderia ser seguida na maternidade de Senador Canedo, “pois a sociedade não pode ficar sem os serviços prestados no local.”

“Para o bem da população, o Cremego espera que a Prefeitura Municipal de Senador Canedo encontre uma solução para garantir a necessária reforma sem o fechamento total da maternidade”, conclui o Cremego.

Já o Conselho Municipal de Saúde (CMS) chegou a entregar à Prefeitura de Senador Canedo um relatório em que reconhece os problemas da maternidade, mas que a realização da reformada deveria ser feita sem o fechamento total da unidade de saúde. “Isso poderá causar um grande transtorno às gestantes do município”.

Prefeitura nega interrupção de atendimentos

Ao Mais Goiás, a prefeitura negou os atendimentos da maternidade de Senador Canedo serão interrompidos durante a reforma. Segundo o órgão, as “urgências obstétricas e ginecológicas oferecidas na unidade serão transferidas para uma unidade de referência, onde serão atendidas por um médico especialista”.

A prefeitura destacou que, durante a reforma da maternidade, o pré-natal seguirá normalmente nas unidades de saúde. No entanto, na ocasião do parto, após a avaliação, “as pacientes serão reguladas para prosseguir com acompanhamento em maternidades da Região Metropolitana de Goiânia”. “A SMS vai dar todo suporte logístico, oferecendo transporte e toda assistência necessária às gestantes”, informou.

“O Ministério Público está ciente e de acordo com a reforma da maternidade”, completou.

A prefeitura disse ainda que irá inaugurar, em breve, um Centro de Atenção à Saúde da Mulher, com serviços especializados, onde será oferecido “oferecido assistência ambulatorial nas áreas de obstetrícia, ginecologia, mastologia e puericultura. Além de atendimentos de nutrição, psicologia, fisioterapia obstétrica e uroginecológica, planejamento familiar e ultrassonografias”.

Parede mofada e fios expostos

Localizada no Jardim de Todos os Santos, Região Central de Senador Canedo, a Maternidade Municipal Aristina Cândida, foi inaugurado em 2010 e realiza cerca de 150 partos e mais de 2 mil atendimentos eletivos e de urgência. Porém, em julho deste ano, um laudo confeccionado por engenheiros civis da Secretaria de Saúde e de Infraestrutura de Senador Canedo foi divulgado, apontando graves falhas estruturais na unidade.

Conforme o documento, foram encontradas uma corrosão de armadura no concreto armado, fenômeno que só acontece quando as condições de proteção do concreto são insuficientes; infiltrações, a maioria com nível crítico e gotejamento; instalações elétricas parcialmente expostas, ocasionando risco de fechamento de curto-circuito e choque elétrico; descolamento de revestimento cerâmico entre outras falhas.

Na ocasião, o diretor clínico da Secretaria de Saúde, Elter Borges, declarou que a reforma na maternidade começaria “o quanto antes” e que, durante as obras, nenhum atendimento ficaria prejudicado. “Vamos garantir, durante a reforma, o atendimento integral de todos procedimentos ofertados […]. As gestantes e as pacientes que procuram a maternidade para receber o serviço eletivo serão atendidas em unidades de referência até a finalização das obras”, destacou.