“Retórica vazia repetir que houve fraude em 2018”, diz Barroso sobre atos de 7 de setembro

"O populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, a imprensa ou os tribunais"

STF suspende portaria que proibia empresas de exigirem comprovante de vacinação
STF suspende portaria que proibia empresas de exigirem comprovante de vacinação (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil)

“As eleições são auditáveis, sendo retórica vazia repetir que houve fraude em 2018”, disse o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que rebateu nesta quinta (9), as falas de Bolsonaro (sem partido) em 7 de setembro. A fala foi dada em sessão virtual do TSE.

Vale lembrar, uma das pautas dos manifestantes pró-governo federal no feriado do Dia da Independência era o voto impresso auditável. Barroso lembrou, também, que o próprio Congresso rejeitou a PEC do voto impresso e reforçou que as urnas são seguras e auditáveis em dez camadas.

“Começa a ficar cansativo no Brasil ter que desmentir falsidade”, disse Barroso em trecho do discurso. “A democracia vive momento delicado em diferentes partes do mundo. (…)” Após citar diversos países, ele afirmou que a democracia nessas nações se deu por líderes políticos eleitos pelo voto popular, “que em seguida, medida por medida, desconstruíram os pilares que sustentam a democracia e pavimentando o caminho para o autoritarismo”.

E ainda: “Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada. O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: ‘conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará’.”

Barroso fala de populismo, extremismo e  autoritarismo

Ele citou, ainda, como fenômenos em curso em diferentes partes do mundo têm impactado a democracia: populismo, extremismo e autoritarismo. “O populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, a imprensa ou os tribunais.”

Sobre o extremismo, ele citou a intolerância e a não aceitação do outro. “O esforço para desqualificar ou desconstruir o que pensa diferente. Tem se valido de campanhas de ódio e desinformação.”

Por fim, ele citou o autoritarismo, “fenômeno que sempre assombrou o nosso continente. (…) Em democracias recentes, parte das novas gerações já não tem os registros das ditaturas, com seu cortejo de intolerância, violência e perseguições. Por isso muitas vezes as novas gerações são presas fáceis de discursos autoritários.” Ainda sobre este último, ele afirma que deslegitimar o vencedor de eleições e tentar desacreditar o sistema eleitoral é característica do autoritarismo.

STF também se manifestou ao discurso de 7 de setembro de Bolsonaro

Presidente do STF, Fux também reagiu ao discurso de Bolsonaro. O ministro disse que o presidente Bolsonaro incentiva palavras de ódio contra o supremo e seus membros, e classificou esses atos como práticas ilícitas e intoleráveis. O jurista comentou não só sobre os atos de 7 de Setembro, mas também acerca de uma postura recorrente do gestor federal. “Ninguém fechará essa corte”, foi enérgico.

“Crítica institucional não se confunde com narrativas de descredibilização do STF e seus membros, como tem sido feito pelo chefe da nação“, declarou e garantiu: “Esse Poder jamais aceitará ameaças e intimidações.”

Fux pediu, ainda, que a população não caia em narrativas falsas e messiânicas. “O verdadeiro patriota não fecha os olhos para problemas reais do País.” De acordo com ele, ideias antidemocráticas se enquadram em crimes de responsabilidade que devem ser analisados pelo Congresso.

Apesar disso, o presidente do STF ressaltou que todas as capitais do País e diversas cidades tiveram cidadãos em atos pró e contra o presidente nas ruas, mas sem o registro de incidentes graves.

Bolsonaro

Na Esplanada, em Brasília, na terça (7), o mandatário repetiu que “não devemos aceitar nada fora das 4 linhas da Constituição”. E acrescentou: “Não aceitaremos mais prisões políticas. Cada chefe de poder que enquadre o seu ou tomaremos uma atitude. Juramos respeitar a CF. Quem age fora dela ou se enquadra ou pede pra sair. Uma nova história começa a ser escrita no Brasil.”

Em nova ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele pediu ao ministro Luiz Fux para enquadrar Alexandre de Moraes: “Quem age fora da constituição, ou se enquadra ou pede pra sair!”