Servidores municipais aprovam greve geral em assembleia; paralisação pode ter início em três dias

SindiGoiânia deu até a próxima quinta-feira (19) para que a prefeitura responda reivindicações positivamente. Movimento poderá afetar vacinação contra H1N1, ambulâncias, Educação e segurança municipais

Após 1 ano e quatro meses de negociações e reivindicações, servidores públicos de todas as áreas da prefeitura de Goiânia poderão paralisar os serviços a partir da próxima quinta-feira (19). A definição de greve foi aprovada de forma unânime em assembleia-geral realizada na manhã desta terça-feira (17), na Praça do Trabalhador, onde também foi estabelecido o prazo de três dias para que o prefeito Íris Rezende anuncie o pagamento de datas-bases, progressões salariais de toda a categoria e conceda aumento do piso dos professores, entre outras questões.

Segundo o presidente interino do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (SindiGoiânia), Ronaldo Gonzaga, caso a resposta não seja satisfatória, 70% de todo o contingente de servidores irá aderir à greve. De acordo com Gonzaga, as obras de recuperação da Avenida Marginal Botafogo e serviços de limpeza urbana também paralisariam.

Lideranças sindicais ressaltam que qualidade do serviço público depende do atendimento às reivindicações (Foto: reprodução)

“Serviços de Saúde, Educação, Segurança Pública também estão inclusos. A greve não tem o objetivo de prejudicar a população, mas de exigir o respeito ao direito do trabalhador. Caso a greve seja necessária, vamos respeitar a lei: 30% dos trabalhadores continuarão de serviço”.

Para ele, mesmo com a greve, a campanha de vacinação contra o Vírus H1N1 não será paralisada. “Os servidores que estarão de serviço continuarão realizando a vacinação normalmente”.

Saúde

O presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado de Goiás, Márcio Souza Linhares, também participou da assembleia na condição de parceiro do SindiGoiânia, que mantém setoriais municipais da entidade entre seus associados. Ele afirma que atualmente há cerca de seis ambulâncias sanitárias e seis do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em funcionamento na Capital.

“Isso para atender uma população de 1,5 milhão de pessoas. Além das reivindicações gerais da categoria dos servidores municipais, exigimos a compra imediata de 22 ambulâncias para o Samu e 45 para o transporte sanitário de pacientes. A greve não irá prejudicar nada até porque o serviço já está sucateado. Caso a paralisação seja necessária, apenas uma ambulância de cada tipo irá funcionar na cidade”, revela.

Márcio, que também é motorista de ambulância, expõe ainda que servidores da saúde estão trabalhando sem Equipamentos de Proteção Individual, como uniformes, luvas, botas e materiais de esterilização. “Já tem mais de cinco anos que denunciamos, mas a situação piorou muito na gestão atual. A compra das ambulâncias, por exemplo, é até uma recomendação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde“, observa.

Educação

Há 37 anos como professor da rede municipal de Educação, o professor Adão Câmara revela que as demandas da área não são poucas. “Precisamos do aumento de 6.81% referente ao piso nacional dos professores em 2018, progressões de carreira de 2016 e de 2018, diferença do índice do piso nacional de 2014 para os meses de janeiro, fevereiro e março daquele ano, além de exigir que a prefeitura dê andamento a processos de titulação e incorporação de diretores de unidades, que estão parados”.

Cerca de 366 unidades de educação, entre escolas municipais, Cmeis e conveniadas irão aderir à greve. “Várias unidades integrais estão funcionando apenas em meio período por falta de profissionais. A prefeitura não convocou a totalidade de aprovados no último concurso. Estamos há mais ou menos 15 meses sem resposta do Município”, reforça.

Segurança

De acordo com o presidente da Associação dos Servidores da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia (ASGMG), o posicionamento da maioria dos guardas é de adesão ao movimento grevista. Entretanto, como a lei impede instituições policiais de participarem diretamente de movimentos semelhantes, a organização estuda opções para manter o apoio ao SindiGoiânia.

“Durante a greve, é bem provável que a guarda faça uma ‘operação tartaruga’, trabalhando apenas dentro do que for estabelecido pelo movimento. Há também a possibilidade de aquartelamento, ou seja, de cumprirmos a escala de serviço dentro de quarteis e postos de comando, tendo em vista que essa alternativa não é ilegal. Desse modo não faltaremos ao serviço, mas permaneceremos inertes”, ressalta.

O impacto da greve sobre a segurança pública municipal se estenderá, segundo Moreira, às escolas municipais, cais e postos de saúde, Paço Municipal e Câmara Municipal. Apesar de o presidente do SindGoiânia, Ronaldo Gonzaga, ter afirmado que a greve não prejudicaria a vacinação contra o vírus H1N1, Washinton apresenta uma versão diferente. “O serviço deverá comprometer também a campanha de vacinação contra o vírus H1N1, já que muitos médicos se recusam a prestar atendimento sem a proteção da GCM”.

Nota

O Mais Goiás colheu posicionamento da Prefeitura de Goiânia sobre a possibilidade de greve. Leia a nota na íntegra:

A Prefeitura de Goiânia informa que o direito de manifestação é resguardado pela Constituição Federal e concorda que são legítimas as reivindicações das entidades sindicais. A Prefeitura de Goiânia já conseguiu reduzir o déficit financeiro e está se esforçando ao máximo para manter o pagamento do funcionalismo em dia, diferente da maioria das prefeituras brasileiras. Assim que tiver recursos disponíveis, as reivindicações serão negociadas e honradas. A Prefeitura continua com todos os canais de diálogos abertos com os servidores.