Sindicato dos jornalistas apoia investigação contra fake news

"A informação verdadeira (sem o viés de ser contra ou a favor) não é admitida pelo presidente", afirma a presidente da Fenaj, Maria José

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Além de afirmar que “não teremos outro dia como ontem, chega”, ao se referir a operação da Polícia Federal que atingiu empresários, políticos e ativistas bolsonaristas, no âmbito do inquérito das fake news do STF, Bolsonaro disse, também que “querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news”.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás (Sindjor-GO), Cláudio Curado, rebate. “Não são mídias a favor. O que se está investigando são produções de fake news usadas como propaganda de desinformação.” Da mesma forma, para Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), estas empresas que disseminam notícias falsas fazem parte de “uma indústria perversa que tem sido instrumento para ataques a pessoas e a instituições que criticam o governo.”

Sinjor

Cláudio Curado reforça que um dos pilares da democracia é o jornalismo sério e isento e, por isso, a Segundo Cláudio, inclusive, é preciso saber quanto custam, e quem paga a eles, os disseminadores de desinformação. Ele cita, inclusive, que a Federação Nacional dos Jornalistas assinou com outras 400 entidades um pedido de impedimento do atual presidente.

Sobre a fala destinada ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele afirma que a postura do presidente é lamentável e demonstra total desapreço pela democracia. “Ele demonstra desapreço pela vida ao ignorar a crise de saúde e só se preocupar em defender os filhos e seu projeto pessoal de reeleição”.

Fenaj

Presidente da Fenaj, Maria José Braga diz que bastou o STF sair de sua letargia cúmplice para o presidente se sentir ameaçado e, como resposta, apontar o caminho da violência. “Bolsonaro tem um projeto autoritário para o País e, claro, nesse projeto não existem instituições republicanas, livres e autônomas”, ela afirma.

Segundo ela, o gestor federal não vê problema em golpe. “Resta saber se as Forças Armadas vão garantir a força necessária para um golpe ou se vão abandonar Bolsonaro e o projeto em curso.”

Ela também comenta a frase do presidente, de “mídias a favor”, afirmando que, “em relação à indústria da produção e disseminação de informações” falsas, é mais uma inverdade chamá-la de mídia. “É uma indústria perversa que tem sido instrumento para ataques a pessoas e a instituições que criticam o governo”, avalia.

Para Maria José, os veículos de comunicação têm por obrigação levar informação verdadeira aos cidadãos e cidadãs. “E a informação verdadeira (sem o viés de ser contra ou a favor) não é admitida pelo presidente. Isso porque em inúmeros casos compromete o governo e/ou seus familiares.”

Por fim, ela cita que o inquérito que apura a questão das informações falsas e/ou fraudulentas é um exemplo claro disso. “Todas as evidências já levantadas apontam para o filho do presidente, aliados políticos e comunicadores financiados para favorecerem o governo e atacar opositores.”