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Tatuadora brasileira acusa ex de agressão dentro de hotel em Las Vegas

Homem foi solto em menos de 24 horas "por falta de evidências"

Tatuadora brasileira acusa ex de agressão dentro de hotel em Las Vegas
Tatuadora brasileira acusa ex de agressão dentro de hotel em Las Vegas (Foto: Reprodução - Redes sociais)

A tatuadora brasileira Isis Muniz, de 25 anos, denunciou o ex-namorado por agressão durante uma viagem a Las Vegas, nos Estados Unidos. Após o episódio, ela diz não estar conseguindo uma ordem de restrição contra o agressor na cidade onde reside, em Toronto, no Canadá.

O caso aconteceu no sábado (7) e o homem foi solto em menos de 24 horas “por falta de evidências”, segundo o juiz. Nas redes, Isis mostrou que está com o nariz quebrado por conta das agressões e possui vários hematomas pelo corpo. Ela ainda conta que também precisará passar por uma cirurgia nos lábios e que está tomando medicamentos.

Ao UOL, a tatuadora afirmou que namorava com ele desde setembro do ano passado. Os dois fizeram uma viagem na quinta (5) para Las Vegas, nos Estados Unidos, e foi após um episódio em um hotel que o homem desferiu as agressões contra ela. O UOL teve acesso a imagens dos ferimentos, que não serão publicadas para preservar a vítima. Ela também não pôde identificar o suspeito, por questões legais.

Segundo Isis, o casal estava passando o dia na piscina de um estabelecimento onde um conhecido estava hospedado quando ela foi algemada sem justificativa pelos agentes da segurança do local. Isso teria irritado o namorado, na volta do incidente.

“Eu lembro que eu estava andando no hotel e os seguranças me algemaram e levaram para uma sala”, conta ela, que acredita que o caso tenha sido uma situação de xenofobia. No momento da apreensão, Isis ainda estava com trajes de banho e assim permaneceu durante o tempo que esteve na sala. Após ter sido liberada, ela retornou ao hotel em que estava hospedada com o namorado, onde começaram as agressões.

“Ele começou a surtar, me xingar, me bater e me jogar pela parede. Quando ele começou a gritar, eu ainda pedi desculpas pelo episódio, mas ele levantou e me deu um empurrão e eu bati a cabeça na parede”, conta.

Isis diz que foi agredida dentro do quarto do hotel e, em dado momento, conseguiu correr e abrir a porta para pedir ajuda. Ela conta que chegou até a entrada da hospedagem e pediu ajuda dos seguranças.

A tatuadora chegou a registrar um boletim de ocorrência sobre o caso e apresentou fotos e vídeos que foram registrados do seu corpo machucado após a agressão. O ex-namorado foi preso e Isis deixou a cidade em direção a Miami, como pretendia antes do episódio.

“Em Miami eu fui ao hospital, voltei para o hotel, fui atrás de medicamento, descansei um pouco e na manhã seguinte (8) eu fiquei sabendo que ele foi solto. O juiz tinha retirado as queixas por falta de provas e eu queria entender onde param as minhas fotos e vídeos. Fiz o boletim de ocorrência, fizeram vídeo do quarto onde fui agredida… Eu estava no automático, só queria correr dali”, conta.

Uma ordem emergencial de restrição foi expedida nos Estados Unidos, mas ela conta que o ex-namorado descumpriu a normativa e enviou uma mensagem, ameaçando-a de ser processada. A jovem acionou a polícia, mas não tinha a ordem de restrição em mãos para denunciá-lo.

“Arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto. Durante o meio tempo que eu estava lá eu fiz várias ligações para a polícia, mas eu não consegui pegar a ordem da restrição, que eu só tinha o número”.

Ordem de restrição

Isis retornou a Toronto na segunda (9) e se dirigiu até um hospital, onde tentou contatar advogados e conseguiu a ordem de restrição para apresentar à polícia canadense, que afirmou que não poderia tomar medidas a respeito da situação por se tratar de um crime ocorrido em outro país.

Isis retornou o hospital à noite para fazer exames e foi orientada por uma funcionária de serviço social a pedir ordem de restrição na Corte. Ao chegar lá, ela foi transferida para outra entidade do poder Judiciário canadense que, mais tarde, informou que para realizar o pedido, o crime teria que ter acontecido no Canadá. “Eles falaram que não poderiam fazer nada em relação a isso. Que para ter ordem de restrição aqui, ele teria que ter me batido aqui”, diz.

A tatuadora diz que tentou contato com as autoridades brasileiras, mas também não obteve sucesso. “Ninguém me ligou, nem mandou e-mail. E eu cheguei aqui na segunda (9).”

Agora, ela deve ficar um mês afastada do trabalho, em sua própria casa, para se recuperar enquanto aguarda uma ordem de restrição.

O UOL entrou em contato com o Itamaraty, a Embaixada dos Estados Unidos e a Embaixada do Canadá e não obteve retorno até a publicação desta matéria.