“Tiozão do pavê” tem que entender que vacina é confiável, diz cientista

Natália Pastnernak afirma que é preciso informar à população como as pesquisas científicas são feitas e por que são confiáveis.

"Tiozão do pavê" tem que entender que vacina é confiável, diz cientista (Foto: Agência Senado)

O “tiozão do pavê” precisa entender que as vacinas contra a covid são seguras e eficazes. Quem faz a analogia é a microbiologista Natália Pasternak, que durante a pandemia tornou-se figura conhecida dos brasileiros por causa da sua presença contante em reportagens para esclarecer fatos científicos à população. Natália virou uma das vozes mais potentes do país no combate ao negacionismo e foi considerada pela BBC uma das 100 mulheres mais influentes do mundo.

“É preciso explicar no churrasco de família, pro ‘tiozão do pavê’, por que você sabe que as vacinas são seguras e eficazes. Indicar artigos que expliquem bem, questionar os lugares com informação não confiável”, diz a microbiologista em entrevista publicada no UOL nesse domingo. Na opinião dela, a melhor maneira de comunicar a ciência é no dia a dia, nos grupos de Whatsapp e nos almoços de domingo. “Esse é um papel extremamente importante e que as pessoas deixam de fazer porque esquecem ou porque não querem ser o ‘chato'”.

Natália estuda para entender por que ocorrem distorções em debates científicos e como combater o negacionismo. Na visão dela, há dois caminhos e um já está sendo trilhado: o de mostrar a ciência pela sua beleza e pelos avanços tecnológicos. A outra forma é popularizar os processos da ciência, ou seja: mostrar como ela funciona. “A gente não precisa que as pessoas entendam como se desenha uma vacina no laboratório, mas que as pessoas entendam como uma vacina é testada, quando um cientista publica um paper, o que isso quer dizer, como publicou e onde. A gente teve, ao longo da pandemia, muita informação sobre ciência que ficou mal digerida porque as pessoas não estão acostumadas com o processo”.

Cientista diz que teorias negacionistas têm razão sociológica

A microbiologista acredita que a difusão de teorias como a que sugere que a Terra é plana tem a ver com razões sociológicas, ou seja: são motivadas pelo desejo que as pessoas têm de pertencer a um grupo que defende a tese. “Isso te dá um sentimento de superioridade. Você faz parte de um seleto grupo de pessoas que sabe algo que estão tentando esconder. Essa sensação é mais importante do que os fatos. Então, você vê que a questão não é científica. É um dogma, quase uma religião”.

Natália condena a insistência de se debater conclusões a que cientistas chegaram a partir de procedimentos de pesquisa. Ela afirma que, para os negacionistas, não interessa o conteúdo do debate. “O que interessa é dizer: ‘eu fui convidado para falar em Harvard, em pé de igualdade com um cientista sério. Olha como eu sou levado a sério pela ciência. Olha como existe uma controvérsia dentro da comunidade científica”.