TJ recebe denúncia de PMs suspeitos de matar trabalhadores e forjar confronto em Cristalina (GO)

Policiais teriam confundido trabalhadores com ladrões de gado e efetuaram cerca de 43 disparos contra as vítimas

Justiça recebe denúncia de PMs suspeito de matar trabalhadores e forjar confronto em Cristalina (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Justiça recebe denúncia de PMs suspeito de matar trabalhadores e forjar confronto em Cristalina (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) aceitou denúncia contra os três policiais militares (PMs) suspeitos de matar trabalhadores rurais e forjar confronto em Cristalina. De acordo com documento do Ministério Público (MP-GO), os militares efetuaram pelo menos 43 disparos contra as vítimas e depois usaram as armas delas, destinadas à caça de javalis, para simulação de um tiroteio que pudesse justificar a alegada resposta dos policiais. Trabalhadores teriam sido confundidos com ladrões de gado.

Por volta das 22h30 do dia 22 de novembro de 2020, os policiais foram chamados para atender uma ocorrência de furto a gado na zona rural da cidade. Para dar oportunidade de fuga aos supostos ladroes de gado, os PMs fizeram trajeto por estrada de terra com os faróis, sirene e giroflex desligados. O caminho, segundo a denúncia, é desprovido de iluminação pública.

Na mesma data e horário, três trabalhadores rurais saíram de suas residências para verificar uma armadilha de javalis, que era uma prática habitual das vítimas. Ao retornarem para a casa com um javali degolado em uma gaiola e filhotes do animal, ainda vivos, em uma sacola, o trio se deparou com a viatura e foi atingido por disparas de arma de fogo.

De acordo com a denúncia do MP, os trabalhadores foram mortos sem qualquer tipo de abordagem, comunicação ou alerta prévios. Dois deles foram atingidos de frente e caíram mortos no local onde estavam. O terceiro tentou correr, mas foi atingido nas costas e também caiu sem vida com tiro na cabeça.

Ao perceberem que não se tratavam dos supostos ladrões de gado, os policiais teriam, segundo o MP, efetuado disparos com as espingardas dos trabalhadores contra a viatura. O objetivo, de acordo com a denúncia, era simular uma troca de tiros e disfarçar o próprio erro.  Uma terceira arma, que não pertencia às vítimas, também foi usada na simulação e apresentada à investigação.

Suspensão do cargo

Ao receber a denúncia, o Juiz Fernando Marney Oliveira de Carvalho determinou a suspensão da posse de arma dos policiais e de suas atividades públicas, além da suspensão da aquisição, posse ou porte de armas de fogo existentes na residência dos militares. Caso as determinações sejam descumpridas, o denunciado será preso preventivamente.

Os três respondem por homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa contra duas das vítimas e por homicídio triplamente qualificado contra a terceira vítima com recurso de assegurar a ocultação ou a impunidade de outro crime.

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