Welton não poderia ter escapado de delegacia sem o envolvimento de servidor, diz promotor

“Existe uma hipótese muito remota de que tenha havido alguma confusão durante uma transferência, mas isso nunca aconteceu no tempo em que aquela carceragem existe ali”, afirma Giuliano da Silva Lima

 

Para o promotor de Justiça e integrante do Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP), Giuliano da Silva Lima, não há possibilidade de Welton Ferreira Nunes Júnior, de 25 anos, ter saído da carceragem da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) sem o envolvimento de alguém que trabalha no local. “Que há o envolvimento de algum servidor isso é simplesmente inarredável. Existe uma hipótese muito remota de que tenha havido alguma confusão durante uma transferência, mas isso nunca aconteceu no tempo em que aquela carceragem existe ali”, explica.

Welton foi preso no fim de abril e seu sumiço de dentro das dependências da Deic foi constatado no dia 4 deste mês. Ele é suspeito de comandar uma quadrilha especializada em roubar gado em Goiás e é dono de um patrimônio de mais de R$ 6 milhões. Justamente por isso, a principal hipótese é a de que algum servidor tenha sido responsável por sua soltura em troca de suborno.

Apesar de a cela onde Welton estava mantido ficar nas dependências da Deic, a segurança e vigilância dos presos do local fica a cargo de servidores da Delegacia de Capturas. “A responsabilidade sobre aquele cárcere ali foi repassada recentemente para a Delegacia de Capturas. Portanto, os agentes que cuidam dos presos nada tem a ver com os demais policiais que trabalham na Deic. Nós até nem gostamos de falar que ali é uma cela da Deic, mas da Delegacia de Capturas”, declara o assessor de imprensa da Polícia Civil, delegado Gylson Mariano.

De acordo com Giuliano, o MPGO aguarda, agora, os resultados da perícia realizada na delegacia nesta sexta-feira (8/7). “Na verdade é apenas para constatar o que já se sabe, que não houve violação na estrutura predial, como perfuração de túnel ou corte da grade”, diz. Para o promotor, a única saída possível para Welton era pela porta de entrada.

Giuliano ainda aponta alguns fatores que considerou particularmente estranhos no desaparecimento de Welton: “A fuga só foi notificada à Corregedoria ontem, mas ela aconteceu no dia 1º. Além disso, ele estava preso há um tempo significativo. Por que não seria transferido ao Centro de Triagem ou à Casa de Prisão Provisória?”, questiona.

Enquanto aguarda o laudo técnico, o GCEAP também está ouvindo alguns servidores sobre o caso. Com a coleta dos depoimentos e o resultado da perícia, Giuliano espera entrar com “medidas de naturezas judiciais” – que não foram especificadas – já na segunda-feira (11/7).