'MENOS SINCERA'

Jovem que denunciou ministro do STJ de assédio relata ameaça

Ele teria advertido a moça para não ter problemas

A jovem de 18 anos que denunciou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Aurélio Buzzi, de 68 anos, de assédio sexual relatou em depoimento ter sofrido ameaças, conforme informou o Metrópoles neste fim de semana. O magistrado teria advertido a moça que fosse “menos sincera”, pois isso poderia gerar problemas a ela.

Ela ainda afirmou que conhecia o ministro desde a infância e o via como um avô e confidente, que costumava aconselhá-la, inclusive sobre a ingressar na faculdade de direito. Buzzi era amigo dos pais da jovem.

O ministro do STJ Marco Buzzi foi acusado de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos. A suposta vítima, que é filha de um casal de amigos do magistrado, teria passado o mês de janeiro hospedada na casa dele, em Balneário Camboriú (SC).

Conforme apurado, em 9 de janeiro, eles se encontraram na praia. Em determinado momento em que ambos estavam no mar, o ministro estaria visivelmente excitado e teria tentado agarrar a jovem três vezes. Desesperada, ela conseguiu escapar e foi até os pais para contar o ocorrido.

A família deixou o local na hora e foi para São Paulo, onde registrou o boletim de ocorrência. Eles, então, foram encaminhados para denunciar o fato no Supremo Tribunal Federal (STF), pois Buzzi tem foro de prerrogativa de função, devido ao cargo de ministro.

Eles estiveram, na terça-feira (3), com o juiz auxiliar do presidente do STF, Edson Fachin, e posteriormente no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para formalizar a denúncia. Segundo o advogado da família, Daniel Leon Bialski, “neste momento, o mais importante é preservá-los, diante do gravíssimo ato praticado”. E ainda: “Aguardamos rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes.”

Em nota, o CNJ disse que “o caso está tramitando no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça, em sigilo, como determina a legislação brasileira”. O Conselho reforçou que a medida “é necessária para preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização. A Corregedoria colheu nesta manhã depoimentos no âmbito do processo”.

O ministro, por sua vez, afirmou que “foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos” e “repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”. Buzzi tomou posse no STJ em 2011. Ele foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Ele completou 68 anos nesta quarta-feira.

Na última quinta-feira (5), o ministro foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, com dores no peito, mesma época que ele apresentou um atestado médico ao STF.