IMPACTO

Bolsistas da UFG aderem à paralisação nacional contra bloqueio orçamentário

Paralisação é por tempo indeterminado

A Associação de Pós-graduandos e Pós-graduandas da Universidade Federal de Goiás (APG-UFG) decidiu aderir, nesta quinta-feira (8), à paralisação em âmbito nacional contra o bloqueio orçamentário do Ministério da Educação (MEC). A manifestação foi convocada pela Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) para todo o Brasil, em assembleia extraordinária realizada na quarta-feira (7).

A vice-presidente da APG-UFG e membro do Programa de Pós-graduação em História, Lara Damiane, informou que são quase 1,5 mil bolsistas na pós-graduação da universidade que estão sem receber suas bolsas. Há também os bolsistas da graduação, de residência pedagógica e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid).

A paralisação é por tempo indeterminado, segundo a vice-presidente da APG-UFG. “Vamos sair da greve só quando recebermos nossas bolsas. Nossas pesquisas são o nosso trabalho e muitos só temos a bolsa como a única renda, uma vez que ela exige vínculo exclusivo”, afirmou.

Conforme comunicado pela própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o bloqueio promovido pelo governo federal travou o pagamento dos bolsistas e “não permite que a CAPES, Universidades e outros órgãos cumpram com suas obrigações financeiras, como pagamento de água, luz, terceirizados e as bolsas de assistência estudantil e de estudos, no Brasil e exterior, como mestrado, doutorado e residências”, informou a entidade.

Com a falta de pagamento, as atividades da pós-graduação ficam prejudicadas, desde as aulas até as pesquisas. “Algumas pesquisas não podem parar, mas os estudantes vão manter apenas as atividades essenciais”, informou Lara.

Já na tarde desta quinta-feira (8), em um novo comunicado, a Capes informou, que obteve, junto ao Ministério da Educação (MEC) a destinação de R$ 50 milhões. “Tal valor será imediatamente utilizado para pagamento da totalidade das bolsas dos programas destinados à formação de professores para a educação básica, conforme prioridade decidida pela Presidência da Instituição.”

Disse ainda: “Essa liberação, embora resulte na quitação integral dos compromissos assumidos pelos referidos Programas, ainda é insuficiente para permitir à CAPES honrar todos os seus compromissos legitimamente assumidos, especialmente com os demais bolsistas de programas de  mestrado, doutorado e pós-doutorado no país.”

Por meio de nota enviada à reportagem, a Universidade Federal de Goiás (UFG) classificou a situação de contingenciamento orçamentário como estarrecedora. Além disso, informou que terem sido bloqueados R$ 2,4 milhões, sendo que um terço desse valor é usado no custeio do Restaurante Universitário.

Confira na íntegra a nota:

A UFG já se encontrava com muitas dificuldades após o corte ocorrido no meio do ano. A situação se agravou muito, pois nos foi bloqueado o pouco que havíamos reservado para os compromissos mais importantes, incluindo manutenção do funcionamento do restaurante universitário, viagens para aulas práticas, materiais e alguns equipamentos. Foram bloqueados 2,4 milhões da UFG, sendo ⅓ referente a Assistência estudantil (Restaurante Universitário).

Adicionalmente, foi anunciado pelo MEC que não receberemos o financeiro no mês de dezembro, mesmo para os compromissos cujo empenho já estavam executados. Portanto, não teremos como efetuar pagamentos este ano. Temos explicado a situação às empresas, solicitando que compreendam nossa dificuldade e não interrompam o pagamento de seus funcionários.

Também estamos preocupados com a notícia de que o MEC não terá como pagar em dezembro os médicos residentes de hospitais federais e os bolsistas da Capes. Estamos de mãos atadas, estarrecidos, aguardando alguma decisão por parte do Ministério da Economia que reverta, o quanto antes, esta absurda situação.