Banco de Leite do Hemu precisa de doações; ‘nem todas as mamães conseguem’, diz doadora
Doei 4 litros por mês e retribui o bem que fizeram à minha família", diz vendedora que ajudou a manter estoque da unidade

O Banco de Leite Humano do Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia, está com 50% do estoque necessário para um mês. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), atualmente a unidade tem cerca de 150 litros, mas o volume ideal para atender com segurança a demanda mensal seria de 300 litros. Para a doadora Bruna Gomes Borges Chaves, de 23 anos, trata-se de um gesto importante, pois “nem todas as mamães conseguem”.
“É importante doar porque, infelizmente, nem todas as mamães têm leite logo no nascimento do bebê e, principalmente, para casos em que o bebê vai para a UTI, eles necessitam do leite e, com toda a situação psicológica, nem todas as mamães conseguem. É sempre bom ajudar o próximo, porque nunca sabemos se um dia iremos precisar”, afirma a vendedora que hoje encerrou suas doações. “Doei uma média de 4 litros por mês (doava cerca de 2 a 3 frascos de 500 ml por semana)”, revelou.
Para ela, ver o volume de doações baixo é uma situação “muito triste e delicada”. A vendedora observa que, apesar de toda a divulgação que fazem, ainda é um projeto muito desconhecido. Bruna lembra que doou até a filha de 8 meses desmamar, em fevereiro. Ela começou quando a neném ainda tinha 20 dias. Ela revela que resolveu doar devido a uma experiência pessoal.
“Minha irmã e eu sofremos um acidente de carro em 2019 e ela ficou na UTI, precisando de bolsas de sangue. Não consegui doar sangue, pois sempre passei mal. Quando soube da doação de leite, soube que era a minha oportunidade de fazer o bem que uma vez fizeram para ela. Aquelas doações salvaram a vida dela e eu pude retribuir.” Quanto ao atendimento do Hemu, “foi incrível, fui muito bem atendida e me deram todo o suporte necessário, do início ao fim”.
Ela revela que uma amiga revelou a possibilidade. Conforme a vendedora, para doar basta fazer o cadastro e ter o primeiro frasco, de vidro com tampa de plástico, esterilizá-lo (ferver submerso por 15 minutos) e coletar (com máscara e touca). “Então, é só avisar o Corpo de Bombeiros que tem leite para adicionarem na rota e as bombeiras já trazem os próximos frascos.”
A doadora ainda faz questão de ressaltar que jamais faltou leite para a filha. “Ela sempre mamou bem, tanto no peito quanto leite ofertado (descongelado). Pelo contrário, me arrependo de primeiro ter feito um estoque para ela e só depois começado as doações.” Questionada sobre o sentimento de ter ajudado, ela diz que se sente incrível. “Minha mãe foi mãe de leite de um amigo da rua e sempre contou essa história e eu achava incrível. E na minha vez, pude fazer a mesma coisa.”

Ajuda
Atualmente, são aproximadamente 50 doadoras ativas. O número é considerado abaixo do necessário para manter o abastecimento adequado.
Mensalmente, são atendidos aproximadamente 200 bebês. Como a quantidade disponível não é suficiente, a situação obriga o Hemu a priorizar os mais vulneráveis, especialmente prematuros internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.
“Estamos sempre precisando da doação de leite materno para os prematuros de UTI. Então, esta mãe doadora que esteja amamentando, que tenha o excesso de leite além da necessidade do seu filho e esteja saudável, pode entrar em contato com o Banco de Leite Humano do Hemu para fazermos o cadastro”, explica a coordenadora do Centro de Referência Estadual em Banco de Leite Humano, Renata Machado Leles. Para ela, a participação de novas doadoras é fundamental para reverter esse cenário.

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