GO: Falsa advogada é denunciada após se infiltrar em grupos jurídicos e aplicar golpes
Falsa advogada foi descoberta após estudantes e profissionais desconfiarem de golpes. Denúncia foi formalizada na OAB-GO por exercício ilegal da profissão

Uma mulher identificada como Silvana Maria Miranda, de 35 anos, é investigada por suspeita de se passar por advogada, usar múltiplas identidades falsas e aplicar golpes após se infiltrar em grupos de profissionais do Direito em Goiás. Segundo a denúncia, ela se apresenta também como “Sil Maria”, “Silvana Gabrielly Miranda”, “Mariah Fonseca” e outros nomes, afirmando ter formação em direito, atuação como criminalista, além de se dizer professora universitária, assessora da Presidência da Republica, palestrante e ex-assessora do Cantor Leonardo, informações que não foram confirmadas.
Mesmo sem registro no Cadastro Nacional de Advogados, Silvana teria realizado atendimentos jurídicos, participado de eventos e captado clientes. O caso foi descoberto após colegas desconfiarem de inconsistências em seu histórico e comportamento, o que levou a uma investigação independente que reuniu documentos, processos e provas. Com base nesse material, uma denúncia formal foi protocolada na OAB -Seção Goiás, que analisa a situação.
A suspeita mantém presença ativa nas redes sociais, onde divulga conteúdos jurídicos e se apresenta como especialista em direito penal. Em registros analisados pelas denunciantes, ela aparece em vídeos, eventos e até com materiais que exibem o símbolo da OAB.
Investigação começou dentro de grupo de advogadas
A descoberta teve início dentro de um grupo voltado a troca de experiências entre advogadas e estudantes. Segundo relatos, Silvana Maria Miranda passou a ganhar a confiança das integrantes ao compartilhar supostos casos e experiências profissionais.
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Uma das denunciantes, que preferiu não se identificar, decidiu aprofundar as suspeitas. “Demorei cerca de dois meses pesquisando. Acessei processos, levantei informações e fui juntando tudo. Depois alertei as colegas sobre o risco”, afirmou.
Após conseguir entrar no grupo, Silvana criou outro grupo paralelo com um número reduzido de participantes, onde estreitou relações e passou a compartilhar supostas experiências profissionais e casos jurídicos. “Ela criou um grupo menor, com cerca de 17 pessoas no início, depois ficaram sete. A gente trocava experiências, falava de clientes, chegou a se encontrar pessoalmente. Era tudo muito convincente”, conta.
Estratégia para captar vítimas
De acordo com o relato, a suspeita utilizava uma abordagem estratégica para ganhar confiança e, a partir disso, aplicar golpes.
“Ela se aproximava de pessoas que tinham potencial de ter muitos clientes. Usava essas pessoas como vitrine. Depois, manipulava contatos e colocava o telefone dela em páginas de advogados. Quem procurava atendimento achando que estava falando com o profissional, acabava falando com ela.”
Histórico de crimes e golpes variados
O material reunido aponta que a investigada possui um histórico extenso de ocorrências policiais, principalmente por estelionato e falsidade ideológica, com mais de 50 registros em Minas Gerais.
Entre os casos, estão golpes com falsas campanhas sociais, criação de ONGs fictícias para arrecadar dinheiro e fraudes contra idosos. Em algumas situações, ela teria usado diferentes identidades e profissões para enganar vítimas, como bailarina do Faustão e policial penal.
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Também há menção a um possível comparsa, marido dela na época dos crimes, que aparece em parte das investigações.
Caso sob análise da OAB
As denunciantes pedem investigação criminal, retirada de perfis em redes sociais e apuração de possíveis prejuízos causados a vítimas.
A denúncia foi encaminhada para Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), que informou, por meio de nota, que acompanha com atenção denúncias envolvendo possível exercício irregular da advocacia no estado. Sem comentar detalhes do caso específico, a entidade destacou que situações desse tipo são tratadas com rigor e podem resultar em medidas internas e encaminhamentos às autoridades responsáveis.
O Mais Goiás entrou em contato com a defesa de Silvana Maria Miranda, mas não teve retorno até o fechamento da reportagem.