MEDIDA DE SEGURANÇA

Césio-137: local onde cápsula foi aberta em 1987 é fechado para evitar estacionamento em Goiânia

Plantas bloqueiam entrada de veículos em lote onde cápsula com Césio-137 foi aberta em 1987. Local deve permanecer isolado por segurança

O local onde a cápsula do Césio-137 foi aberta, no Setor Aeroporto, Goiânia, em 1987, precisou ser fechado para evitar que fosse utilizado com estacionamento. Vasos com plantas foram instalados pedido na entrada do terreno, uma vez que a área, na Rua 57, deve permanecer isolada por normas de segurança. O serviço foi feito pela Comurg, a pedido de moradores da região.

Os vasos agora criam uma barreira física para bloquear o acesso de carros. Ao todo, cerca de 400 mudas ornamentais, como mini neve da montanha, além de espécies como cróton vermelho e terra adubada, foram utilizadas.

Virou estacionamento

plantas x estacionamento x cesio
Plantas são usadas para impedir estacionamento em área do acidente com Césio-137, em Goiânia (Foto: Divulgação/Comurg)

O espaço, apesar de cercado por restrições, vinha sendo tratado como um terreno comum. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram veículos estacionados no local, o que gerou críticas e levou à adoção da medida para conter o uso indevido.

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Lote onde cápsula do Césio-137 foi aberta era usado como estacionamento (Vídeo: Reprodução/Instagram Michel de Medeiros)

Césio-137: cápsula aberta

Foi neste local que, em 1987, a cápsula com material o elemento radioativo Césio-137 foi aberta, após o equipamento de Raio X que a continha ter sido retirado das ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). A manipulação do conteúdo deu início ao maior acidente radiológico em área urbana já registrado no mundo.

Acidente radiológico em Goiânia

A tragédia deixou quatro mortos e afetou milhares de pessoas. Estudos indicam que cerca de 10 mil moradores e trabalhadores foram impactados nas áreas próximas. Após o episódio, o imóvel foi demolido e o solo passou por um processo de descontaminação, sendo posteriormente isolado. Mesmo décadas depois, o terreno segue sob monitoramento e não pode ser ocupado ou utilizado.

Relatos inéditos sobre o Césio

Após o lançamento da minissérie da Netflix “Emergência Radioativa”, relatos inéditos de profissionais que atuaram diretamente no acidente foram divulgados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

“As atividades iam desde planejar a intervenção em uma área contaminada até executar o trabalho mais difícil. Muitos trabalhadores não eram da área nuclear, mas se sentiam confiantes quando atuávamos juntos”, afirmou o físico Roberto Vicente, técnico da CNEN.

Roberto Vicente também trabalhou na Rua 57, onde ficava a casa do catador Roberto Santos Alves, o primeiro ponto de contato com o material radioativo.

Pensão para vítimas

O reajuste das pensões pagas às vítimas do acidente com o Césio-137 foi sancionado e assinada pelo então governador Ronaldo Caiado (UB) no último dia 30/3, um dia antes de deixar o cargo. O projeto havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa de Goiás no fim de março.

A atualização dos valores ocorre em meio à retomada do debate sobre a tragédia de 1987, que voltou à pauta após a repercussão da minissérie Emergência Radioativa. A produção reacendeu discussões sobre os impactos do acidente e a situação das vítimas.

Tragédia com césio-137, em Goiânia, ainda afeta cerca de 1.300 pessoas Série da Netflix Emergência Radioativa chamou atenção setembro de 1987
Tragédia com césio-137, em Goiânia, ainda afeta cerca de1.300 pessoas (Foto: SES)

Os radiolesionados ou expostos a níveis mais altos de radiação passam a receber R$ 3.242, antes fixados em R$ 1.908. Já os demais beneficiários terão o valor atualizado de R$ 954 para R$ 1.621. A lei mantém os critérios de concessão e o público atendido, além de substituir normas anteriores sobre o tema.

Atualmente, 603 pessoas recebem o benefício. A estimativa é de que o impacto financeiro seja de R$ 3,6 milhões em 2026 e de cerca de R$ 4,9 milhões nos próximos anos.