Césio-137: documentários do Mais Goiás para você entender tudo do assunto
Caso em Goiânia voltou a repercutir após série 'Emergência Radioativa', da Netflix
Ir direto pra matéria
Em 13 de setembro de 1987, Goiânia foi palco do maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear, envolvendo o Césio-137. O episódio teve início quando dois catadores de recicláveis, Roberto dos Santos e Wagner Mota Pereira, encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no Instituto Goiano de Radioterapia. Ao desmontá-lo, liberaram uma cápsula de Césio-137, um isótopo radioativo altamente perigoso. O material se espalhou rapidamente, contaminando centenas de pessoas e causando mortes e sequelas irreparáveis. O caso segue como um dos mais marcantes da história do país e, inclusive, já foi tema de dois documentários produzidos pelo Mais Goiás. Assista abaixo!
O Encontro Fatal
Em setembro de 1987, no local que hoje é o Centro de Convenções, dois catadores encontraram um aparelho nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, instituição de responsabilidade do Estado. Os homens levaram a peça para um ferro-velho, e começaram a desmontar a máquina. Uma parte da peça foi levada para o ferro-velho de Devair Ferreira, que abriu a cápsula e encontrou o pó radioativo. Devair mostrou a novidade para vizinhos, amigos e familiares. Dias depois, as pessoas começaram a ter tontura, vômitos e diarreia, principalmente Devair e sua esposa Maria Gabriela.

Leide das Neves
Ivo Ferreira, irmão de Devair, levou um pouco do pó para a sua filha, Leide das Neves, de apenas 6 anos. A menina posteriormente foi jantar, ingerindo o Césio-137 por meio da refeição. Maria Gabriela levou a peça até a Vigilância Sanitária, contribuindo com a contaminação de mais pessoas, pois o trajeto foi feito de ônibus.

O Alerta e a Contaminação Generalizada
Apenas em 29 de setembro de 1987 foi dado o alerta que todas essas áreas foram atingidas por radiação. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pediu para que os moradores fossem transferidos para um esquema de triagem no Estádio Olímpico. Mais de 112 mil pessoas foram colocadas em quarentena e submetidas a intensos banhos para descontaminação.
Consequências e Legado
O acidente resultou em quatro mortes confirmadas: Maria Gabriela Ferreira, Leide das Neves Ferreira, Israel Baptista dos Santos e Admilson Alves de Souza. Além disso, 249 pessoas apresentaram contaminação significativa, sendo monitoradas e tratadas por equipes médicas especializadas. Mais de 110 mil pessoas foram acompanhadas. Centenas de locais, incluindo residências, ruas e veículos, foram desinfectados ou removidos devido à contaminação. A cidade de Goiânia enfrentou um processo complexo de descontaminação, com a remoção de solo e materiais contaminados.
