Comerciante cria pamonha de 1kg em Goiânia: veja de quanto milho precisa e o preço
Empresário deixou vendas de roupas durante a pandemia, investiu no cultivo de milho e criou produto que versão que viralizou nas redes sociais

Em setembro de 2024, inspirado por lanches como o x-tudo e pizzas com múltiplos sabores, o empresário Márcio José Correia criou uma “pamonha gigante” que reune diferentes recheios em uma única unidade. A versão viralizou nas redes sociais e, desde então, faz sucesso em Goiânia, atraindo clientes de diversas regiões e também de outros países.
Localizada na Avenida Perimetral, no Setor dos Funcionários, a Fantástica Fábrica de Pamonhas vende entre 40 e 60 pamonhas de 1 kg por dia. Cada unidade leva, em média, de 8 a 10 espigas de milho, a depender do tamanho. O produto é preparado em um caldeirão com capacidade aproximada de 140 litros, o que ajuda a dar conta da produção diária.
Cada pamonha custa hoje R$ 40, mas o valor deve sofrer alteração em breve.
Ao Mais Goiás Márcio explicou que uma pamonha desse tamanho pode servir de três a quatro pessoas, embora isso varie conforme o apetite dos clientes. Há quem consuma sozinho, casais que dividem e até famílias inteiras que compartilham. Ele observa ainda que, enquanto a pamonha tradicional costuma ser consumida individualmente, a versão gigante, quando aberta, acaba sendo consumida até o fim.
Inicialmente, Márcio apresentou o projeto a outros pamonheiros, mas encontrou resistência. “Levei a ideia para vários, mas só um se interessou”, relembra. Foram cerca de 20 a 30 dias de testes até chegar a um resultado satisfatório. Nesse processo, a esposa também se envolveu na produção e acabou dominando a técnica. Durante muito tempo, os dois tocaram a produção praticamente sozinhos.
Antes da versão gigante, Márcio já produzia pamonhas recheadas, especialmente com bacon, que também faz sucesso. Com o amadurecimento do negócio, decidiu apostar em uma versão maior e mais elaborada, combinando recheios como bacon, linguiça, carne, frango e queijo. O cardápio também foi ampliado ao longo do tempo, com opções como curau, bolinhos e adaptações de receitas como a cachapa, sempre com um toque mais goiano.
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Márcio explica que, após a pamonha gigante viralizar, foi necessário contratar mais funcionários para reforçar a produção. Segundo ele, a intenção inicial não era criar um produto de sucesso nas redes sociais, mas garantir o próprio sustento, já que havia “perdido tudo” durante a pandemia de Covid-19, quando precisou abandonar a atividade anterior e buscar uma nova fonte de renda.
Nascido no Mato Grosso, ele se mudou para Goiás ainda jovem, aos 16 anos, quando começou a trabalhar em fazendas no interior, na região de Doverlândia. Anos depois, acompanhando o pai, mudou-se para o Tocantins, mas acabou retornando a Goiás, onde atuou com vendas de roupas na Região da 44, em Goiânia.
Foi nesse período, em 2013, que teve o primeiro contato com o marketing multinível, trabalhando com cosméticos e formando equipes de venda porta a porta, atividade que manteve até 2020.
Da venda de roupas à produção de pamonha
A pandemia de Covid-19 interrompeu bruscamente esse modelo de negócio. Com as restrições, as vendas diretas se tornaram inviáveis, e Márcio precisou se reinventar. “Aluguei uma chácara, plantei uma lavoura de milho, colhi e fui vender na cidade”, relembra.
Durante um período, ele comercializou a produção para outras pamonharias. Em outubro de 2022, no entanto, decidiu começar a produzir e vender as próprias pamonhas. No início, comercializava o produto na rua, em portas de supermercados, até conseguir abrir o próprio estabelecimento.
Márcio também faz questão de destacar a importância da esposa, Monicarlas de Araújo Correia, que, segundo ele, sempre esteve ao seu lado. Os dois trabalham juntos desde antes da pamonharia. Moni, como é conhecida, é responsável pelo tempero de todos os produtos vendidos.
O empresário conta que nenhum dos dois tinha experiência prévia no ramo e que tudo o que produzem tem como base aprendizados da vida na fazenda, especialmente das tradicionais pamonhadas em família. O estilo de produção, segundo ele, é totalmente caseiro, inspirado no ambiente rural.
Pamonharia ia se chamar “Dona Encrenca”
O nome do estabelecimento, inclusive, é uma homenagem à esposa. Márcio chegou a sugerir “Dona Encrenca”, apelido dado por ele à companheira, mas a ideia não foi aceita por ela. Como alternativa, decidiu batizar o local de “Moni Pamonharia”. Com o crescimento, o empreendimento foi registrado como “Moni Fantástica Fábrica de Pamonhas”.
O sucesso nas redes sociais ampliou ainda mais o alcance da pamonharia. Segundo Márcio, clientes de outros países chegam a Goiânia interessados em experimentar a pamonha gigante. “Não consigo nem me comunicar direito com eles, mas eles vêm, mostram foto da pamonha”, relata. Ele afirma ter seguidores na Europa e diz que o produto já circulou por cerca de 17 países, levado por estrangeiros que visitam o local.
Além da venda direta, Márcio também comercializa pamonhas no atacado para outros estabelecimentos. No entanto, devido à complexidade da produção da versão de 1 kg, apenas as pamonhas tradicionais são revendidas.
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